Vigésima Segunda Palestra

Ministério
 Edifício Espiritual
 Edmur Hawthorne
Palestras Bíblicas 22/30

COMO GUARDAR O SÁBADO


Prezados amigos, a humanidade se afastou tanto de Deus, que hoje não sabe mais viver os princípios determinados pelo Criador. Conversando com um amigo em um almoço, “onde servia carne de porco”, ele me perguntou por que eu não comia esse tipo de carne. Expliquei a ele as razões bíblicas, e ele começou a falar que tinha abandonado suas atividades ligadas à religião, por falta de tempo. Disse ele: “Eu tenho que trabalhar cuidar da minha família, dar atenção aos meus filhos, cuidar em prover suas necessidades” Disse a ele que muitas pessoas têm a mesma atitude. Hoje em dia parece que todos andam tão ocupados que se acham incapazes de fazer tudo que deviam. Muitas pessoas têm o desejo íntimo de dedicar mais tempo a Deus. Gostariam de fazê-lo, mas a questão é: de onde tirar esse tempo? Devemos ser gratos a Deus por entender Ele os problemas que nos assoberbam hoje. Ele tomou providências para que tivéssemos tempo para tudo, devoção e comunhão com Ele. Deus bem sabia que à medida que o tempo passasse e a vida se tornasse mais complexa, o homem teria a tendência de esquecer a relação existente entre ele e seu Criador. Por isso, pôs à parte um período especial para que o homem pudesse refrigerar-se, deixando de lado seus muitos problemas, dificuldades e perplexidades, renovando sua relação com o Pai celestial.
Um psiquiatra disse a um paciente, não faz muito, que se todas as pessoas removessem para longe todas as perplexidades por um dia na semana, afrouxando completamente a tensão, haveria pouca necessidade de instituições para doentes mentais. Deus pôs de parte um dia no qual Ele deseja que renovemos nossas forças físicas e espirituais. Dele aprendemos agora alguma coisa acerca desse dia. Por mais belo que fosse o mundo recém-concluído, o maior dom que o Criador poderia conceder ao jovem par era o privilégio de manter relacionamento pessoal com Ele. Assim Ele lhes concedeu o sábado, dia de bênção, companheirismo e comunhão especiais com o Criador.
O sábado ocupa lugar central em nossa adoração a Deus. Sendo o memorial da criação, revela as razões pelas quais, Deus deve ser adorado: “Ele é o Criador e nós, Suas criaturas”. O sábado representa a própria base da adoração divina, pois ensina essa grande verdade a mais impressionante, como nem outra instituição o faz. A verdadeira base de toda adoração a Deus, não apenas aquela praticada no sétimo dia, senão toda adoração, encontra-se na distinção entre o Criador e Sua criatura. Esse grandioso fato jamais se poderá tornar obsoleto, nem deve jamais ser esquecido. Foi para conservar essa verdade para sempre diante da raça humana que Deus instituiu o sábado.

O sábado teve sua origem em um mundo sem pecado. É um dom especial de Deus, que habilitaria a raça humana a experimentar aqui na Terra a realidade do Céu. Três atos divinos distintos estabeleceram o sábado: Deus descansou no sábado. Deus, no sétimo dia “descansou e tomou alento”, Êxodo 31:17, Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se”. Embora não houvesse repousado face à necessidade de fazê-lo, Isaias 40:28, Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento”. O verbo descansar “shabbath” significa literalmente “cessar os labores ou atividades” conforme Gênesis 8:22, Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão”. O repouso de Deus não foi o resultado de exaustão ou fadiga, mas a interrupção de Suas atividades.
Deus descansou porque era Sua intenção que o homem descansasse; Ele deixou um exemplo que deveria ser observado pelos seres humanos. Êxodo 20:11, Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou”. Se Deus finalizou Sua obra no sexto dia, Gênesis 1:31, “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto”. E 02:1, ASSIM os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados”. O que querem dizer as Escrituras ao afirmar que Ele findou a Sua obra no sétimo dia?” Gênesis 2:2, “havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito”. Ele havia terminado a criação dos Céus e da Terra nos seis primeiros dias, mas ainda tinha de criar o sábado. Foi ao descansar durante esse dia que Deus o estabeleceu. O sábado representou o toque final de Sua obra criadora.

  1. – Deus abençoou o sábado. Ele não apenas fez o sábado, como também abençoou. A bênção sobre o sábado implicava que ele fora reservado como objeto especial do favor divino e um dia que haveria de trazer bênçãos a suas criaturas.
  1. – Deus santificou o sábado. Santificar significa tornar sagrado ou santo, separado como algo destinado a uso sagrado: consagrado”. Pessoas, lugares, exemplo: santuário, templo, igreja ou mesmo dias podem ser santificados. O fato de que Deus santificou o sétimo dia significa que esse dia é santo, que Ele o separou para o amorável propósito de enriquecer o relacionamento divino-humano.
Deus abençoou e santificou o sétimo dia pelo fato de haver nesse dia cessado todas as Suas obras. Ele o abençoou e santificou para a humanidade, não para Si próprio. É a Sua presença pessoal que traz bênção e santificação ao sábado.

O SÁBADO NO SINAI E COMO GUARDÁ-LO

Os eventos que se seguiram à saída dos israelitas do Egito, mostram que eles haviam, em grande medida, perdido de vista o sábado. As rigorosas exigências da escravidão devem ter tornado muito difíceis à observância do sábado. Pouco tempo depois que adquiriram a liberdade, Deus os fez recordar incisivamente, através do milagre do maná e da proclamação dos Dez Mandamentos, sua obrigação quanto à observância do sábado, do sétimo dia.

O sábado e o maná. Dias antes de proclamar Sua Lei no Sinai, Deus prometeu ao povo proteção contra as enfermidades, se dedicassem atenção diligente “aos Seus Mandamentos e... a todos os Seus estatutos”. Êxodo 15:26, E disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o SENHOR que te sara”. E Gênesis 26:5, Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis”. Logo depois de fazer essa promessa, Deus relembrou aos israelitas à santidade do sábado. Por meio do milagre do maná, ensinou-os em termo concreto quão importante era, à Sua vista, o descanso no sétimo dia.

Durante todos os dias da semana, Deus enviava aos israelitas uma quantidade de maná suficiente para atender às necessidades cotidianas. Não deveriam tentar armazenar nenhuma quantidade do produto para o dia seguinte, pois arruinaria se o fizessem. Êxodo 16:19 E disse-lhes Moisés: Ninguém deixe dele para amanhã”. No sexto dia, porém, deveriam eles, colher em dobro, de modo que houvesse o suficiente para atender às suas necessidades naquele dia e no seguinte, “o sábado”, ensinando assim que o sexto dia era um dia de preparação, e também sobre a forma de observar o sábado. Deus disse: “Amanhã é repouso, o santo sábado do Senhor: o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água cozei-o; e tudo o que sobrar separai, guardando para amanhã seguinte”. Êxodo 16:23. Somente no sétimo dia poderia o maná ser guardado sem deteriorar. (Êxodo 16:24). Em linguagem similar àquela do quarto Mandamento, Moisés disse: “Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá”. (Êxodo 16:26). Durante quarenta anos, ou mais de dois mil sábados consecutivos em que os israelitas estiveram no deserto, o milagre do maná os fez recordar esse esquema de seis dias de trabalho e um de descanso.
O sábado e a Lei. Deus posicionou o Mandamento do sábado no centro do decálogo. Eis o texto do Mandamento: “Lembra-te do dia de sábado...” Êxodo 20:8-11, “08 Lembra-te do dia do sábado, para santificá-lo. 09 Seis dias trabalharão, e farás toda a tua obra. 10 Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. 11 Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou”. (E Deuteronômio 5:12-15).
Todos os Mandamentos do decálogo são vitais, e nem um deles deve ser negligenciado, Tiago 2:10, Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos”. (Esta é a única matemática que 10-1 é zero). Mas ainda assim Deus distinguiu o Mandamento do sábado dentre todos os demais. Com relação a ele, Deus ordenou: “Lembra-te”, chamando a atenção da humanidade para o perigo de se perder de vista a sua importância.

Como memorial da criação, a observância do sábado representa um antídoto contra a idolatria. Ao lembrar-nos que Deus criou o Céu e a Terra, transparece claramente a distinção entre Deus e todos os falsos deuses. A guarda do sábado torna-se, pois, um sinal de nossa fidelidade ao verdadeiro Criador. Um sinal de que reconhecemos a Sua soberania como Criador e Rei.

O mandamento do sábado funciona como o selo da Lei de Deus. Em geral, o selo contém estes três elementos: o nome do dono do selo, seu título e a jurisdição de seus domínios. Selos oficiais são utilizados para validar documentos de grande importância. O documento assume a autoridade do oficial a quem pertence o selo utilizado. O selo implica que o próprio oficial aprovou a legislação e que toda a autoridade de seu cargo se encontra por detrás do documento.

Entre os Dez Mandamentos, é o mandamento do sábado que contém os elementos vitais do selo. É o único entre os dez que identifica o Deus verdadeiro ao declarar o Seu nome: O Senhor Teu Deus”; o Seu título: “Aquele que fez o Criador”; e Seu território: O Céu e a Terra, o mar e tudo o que neles há”. (Êxodo 20:10 e 11). (já citados). Portanto, como apenas o quarto mandamento mostra sob a autoridade de quem foram concedidos os Dez Mandamentos, é esse mandamento que contém o “selo de Deus”, colocado sobre a Sua Lei como evidência de Sua autoridade e vigência.

Efetivamente, Deus fez do sábado uma lembrança ou sinal de Seu poder e autoridade em um mundo não poluído pelo pecado e pela rebelião. Deveria constituir uma instituição de perpétua obrigação pessoal, imposta pela admoestação: Lembra-te do dia de sábado para santificá-lo”. (Êxodo 20:8). Embora os seres humanos requeiram descanso físico para restaurar o corpo, Deus baseia Sua exigência de que descansemos durante o sábado, em Seu próprio exemplo. Assim como Ele descansou de Suas atividades executadas na primeira semana deste mundo, assim devemos nós repousar. As Escrituras revelam que, tão verdadeiramente quanto o Pai, Cristo foi Criador. I Cor. 8:6, Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele”. Hebreus 1:01 e 02, “01 HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, 02 A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo”. E João 1:3, Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Assim, foi Ele quem separou o sétimo dia para o descanso da humanidade. Jesus associou o sábado com Sua obra redentora, assim como o fizera com Sua obra criadora. Na qualidade de grande EU SOU”, João 8:57-58, 57 Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão? 58 Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou”. E Êxodo 3:14, 14 E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós”. Ele incorporou o sábado ao decálogo para enfatizar a lembrança do encontro semanal de adoração com o Criador. E Ele acrescentou outra razão para a observância do sábado: a redenção de Seu povo, conforme Deuteronômio 5:14 e 15, 14 Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhum trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu; 15 Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o SENHOR teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado. Desse modo, o sábado assinala aqueles que aceitaram a Jesus como Criador e Salvador.
O duplo papel de Cristo, como Criador e Redentor, torna óbvia a razão pela qual Ele reivindicou como Filho do homem, ser também o “Senhor do sábado”. (Marcos 2:28), Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor”. Quando Cristo completou Sua obra de Criação, Seu primeiro grande ato na história deste mundo foi descansar no sétimo dia. Esse descanso significou acabamento e realização. Ele fez praticamente o mesmo no final de Seu ministério terrestre. Quando empreendeu o Seu segundo grande ato na história do mundo. Na tarde de sexta feira, o sexto dia da semana, Cristo encerrou Sua obra como redentor da humanidade. Suas últimas palavras foram: “Está consumado”. (João 19:30). As Escrituras enfatizam que quando Ele morreu, “era dia da preparação e começava o sábado” (Lucas 23:54). Em seguida à Sua morte, repousou no túmulo, simbolizando isso que Ele havia consumado a obra da redenção da raça humana.
Então, o sábado testifica tanto da obra criadora quanto da obra redentora de Cristo. Observando-O, Seus seguidores regozijam-se com Ele em virtude de Suas realizações em favor da humanidade. É no sábado que podemos experimentar de forma especial a presença de Deus em nosso meio. Sem o sábado, tudo seria labor e suor sem fim. Todos os dias seriam iguais, devotados aos afazeres. A chegada do sábado, entretanto, traz consigo esperança, alegria, significado e estímulo. Ele provê o tempo para a comunhão com Deus através de adoração, cânticos, oração, estudo e meditação da Palavra, e através do partilhar o evangelho com outros. O sábado é a nossa oportunidade de vivenciar a presença de Deus.

SINAL DE JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

Os cristãos reconhecem que através da orientação de uma consciência iluminada, os nãos cristãos que honestamente buscam a verdade podem ser conduzidos pelo Espírito Santo a uma compreensão dos princípios gerais da Lei de Deus. (Romanos 2:14-16). Isto explica porque os outros nove mandamentos, excetuando-se o do sábado, têm sido em maior ou menor grau, praticados fora das fileiras do cristianismo. Mas este não é o caso do quarto mandamento.
Muitas pessoas conseguem compreender a necessidade de um dia semanal de descanso, mas frequentemente revelam muita dificuldade em compreender por que o trabalho que, efetuado em qualquer outro dia da semana, seria considerado digno e elogiável; se praticado no dia de sábado, constitui pecado. A natureza não oferece qualquer justificativa para que se guarde o sábado. Os planetas movem-se em suas respectivas órbitas, a vegetação cresce, chuva e sol se alternam e os animais se comportam como em qualquer outro dia. Por que, então, deveria o ser humano guardar o sábado do sétimo dia? Para o cristão existe apenas uma razão, e nem outra; mas esta razão é suficiente: “Deus ordenou”.
É apenas com base na revelação especial de Deus que as pessoas conseguem entender a racionalidade da observância do sétimo dia. Portanto, aqueles que guardam o sétimo dia o fazem pela fé e implícita confiança em Cristo, que ordenou sua santificação. Ao observarem o sétimo dia, os crentes revelam disposição de aceitar a vontade de Deus para sua vida, em vez de confiarem em seu próprio julgamento.
Ao guardarem o sétimo dia, os crentes não estão tentando se tornar justos por si mesmos. Ao contrário, observam o sábado como resultado de seu relacionamento com Cristo, seu Criador e Redentor. A guarda do sábado é o produto de Sua justiça no processo de justificação e santificação, significando que eles foram libertados da escravidão do pecado e receberam Sua perfeita justiça.
Uma laranjeira não se torna laranjeira pelo fato de produzir laranjas. Antes de poder fazê-lo, deverá ser laranjeira. Neste caso, as laranjas brotam dessa árvore como frutos naturais. Assim o verdadeiro cristão não guarda o sábado ou os outros nove mandamentos para se tornar justo. Em vez disso, a observância é o fruto natural da justiça que Cristo compartilha com ele. Quem observa o sábado dessa forma não é legalista, uma vez que a observância externa do sétimo dia corresponde a uma experiência íntima do crente em termos de justificação e santificação. Portanto, o verdadeiro observador do sábado não se omite de atos proibidos para esse dia tendo em vista obter o favor de Deus, mas o faz porque ama a Deus e deseja aproveitar o sábado para manter mais íntimo relacionamento com Ele.
A observância do sábado revela que desistimos de confiar em nossas próprias obras, compreendendo que somente Cristo, o Criador, pode nos salvar. Efetivamente, o espírito da verdadeira observância do sábado revela supremo amor por Jesus Cristo, o Criador e Salvador, que nos está transformando em novas criaturas. Ela torna a guarda do dia correto, da forma correta, um sinal de justificação pela fé.

A VERDADEIRA OBSERVÂNCIA DO SÁBADO

Para nos lembrarmos do dia de sábado e o conservarmos santo, (conforme Êxodo 20:8), (já citado acima), necessitamos pensar nele durante toda a semana, efetuando os preparativos necessários para que possamos observá-lo de maneira que agrade a Deus. Deveríamos ser cuidadosos em não exaurir nossas energias durante a semana, a tal ponto que no sábado não nos sintamos em condições de participar dos serviços sabáticos.
Pelo fato de ser o sábado um dia de comunhão especial com Deus, no qual somos convidados a celebrar Sua graciosa atividade como Criador e Redentor são importante que nos afastemos de tudo a que possa contribuir para reduzir sua sagrada atmosfera. A Bíblia especifica que durante o sábado devemos cessar nossas atividades seculares. (Êxodo 20:10). Evitando todo trabalho para ganhar a vida, e todas as transações comerciais. Neemias, 13:15-22, 15 Naqueles dias vi em Judá os que pisavam lagares ao sábado e traziam feixes que carregavam sobre os jumentos; como também vinho, uvas e figos, e toda a espécie de cargas, que traziam a Jerusalém no dia de sábado; e protestei contra eles no dia em que vendiam mantimentos. 16 Também habitavam em Jerusalém tiros que traziam peixe e toda a mercadoria, que vendiam no sábado aos filhos de Judá, e em Jerusalém. 17 E contendi com os nobres de Judá, e lhes disse: Que mal é este que fazeis, profanando o dia de sábado? 18 Porventura não fizeram vossos pais assim, e não trouxe o nosso Deus todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? E vós ainda mais acrescentais o ardor de sua ira sobre Israel, profanando o sábado. 19 Sucedeu, pois, que, dando já sombra nas portas de Jerusalém antes do sábado, ordenei que as portas fossem fechadas; e mandei que não as abrissem até passado o sábado; e pus às portas alguns de meus servos, para que nenhuma carga entrasse no dia de sábado. 20 Então os negociantes e os vendedores de toda a mercadoria passaram a noite fora de Jerusalém, uma ou duas vezes. 21 Protestei, pois, contra eles, e lhes disse: Por que passais a noite defronte do muro? Se outra vez o fizerdes, hei de lançar mão de vós. Daquele tempo em diante não vieram no sábado. 22 Também disse aos levitas que se purificassem, e viessem guardar as portas, para santificar o sábado. Nisto também, Deus meu, lembra-te de mim e perdoa-me segundo a abundância da tua benignidade”.
Devemos honrar a Deus não seguindo os nossos próprios caminhos, não pretendendo fazer a nossa vontade, nem falando palavras vãs. Isaias, 58:13, Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras” Se devotarmos esse dia ao nosso próprio agrado, se nos envolvermos em conversas seculares ou em seculares interesses e pensamentos, ou se nos envolvermos em esportes, acabamos nos afastando da comunhão com o Criador e violaremos a santidade do sábado. Nossa preocupação com o mandamento do sábado deveria estender-se a todos os que se acham sob nossa jurisdição: “nossos filhos, aqueles que nos prestam serviço, e mesmo as nossas visitas e os nossos animais”. (Êxodo 20:10). (já citados). Para que eles possam desfrutar das bênçãos do sábado também.
 
Conforme podemos ler em Lucas, 23:54-56; “54 E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado. 55 E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galileia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. 56 E, voltando elas, prepararam especiarias e unguentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento”. 24:1, “E NO primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas. E Marcos, 15:42, E, chegada a tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado”, A sexta feira é chamada de: o dia da preparação”, onde nós devemos colocar tudo em ordem, as roupas, sapatos, carros, (com tanque cheio), e quanto à dona de casa, deve preparar tudo com antecedência, roupas lavadas e passadas; alimentos que serão usados no sábado, devem ser preparados na sexta feira, conforme já lemos em Êxodo,16:23. O sábado inicia-se ao pôr-do-sol da sexta feira e termina ao pôr-do-sol do sábado. Confira em Gênesis 1:5, E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. “E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro”.
Ao se aproximarem as sagradas horas do sábado, é bom que os membros da família ou grupos de crentes se reúnam pouco antes do pôr-do-sol, para juntos cantar, orar e estudar a Palavra de Deus, convidando dessa maneira, o Espírito Santo como hospede bem-vindo. Da mesma forma, deveriam assinalar o término do dia sagrado pelo mesmo tipo de reunião, suplicando a presença e orientação de Deus para a semana que se inicia.
O Senhor estimula Seu povo a converter o dia de sábado em dia deleitoso. (Isaias, 58:13). (Já citado). Como os crentes podem obter essa experiência? Somente se seguirem o exemplo de Cristo, o Senhor do sábado, é possível conservar a esperança de experimentar real satisfação e a alegria que Deus tem preparado para esse Dia.
Cristo adorava regularmente aos sábados, participando de cerimônias e instruindo as pessoas em assuntos religiosos. (Marcos, 1:21, “Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, ali ensinava". 3:1-4, “01 E OUTRA vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. 02 E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem. 03 E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio. 04 E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se. Lucas, 4:16-27, 16 E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler. 17 E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: 18 O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração, 19 A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do SENHOR”. Mas Ele fazia mais do que simplesmente prestar culto. Desfrutava da comunhão com outros. Marcos, 1:29-31, 29 E logo, saindo da sinagoga, foram à casa de Simão e de André com Tiago e João. 30 E a sogra de Simão estava deitada com febre; e logo lhe falaram dela. 31 Então, chegando-se a ela, tomou-a pela mão, e levantou-a; e imediatamente a febre a deixou, e servia-os”.

Gastava parte do tempo fora de casa e praticava sagrados atos de misericórdia. Sempre que possível, curava os enfermos e aflitos. Lucas, 13:10-17, 10 E ensinava no sábado, numa das sinagogas. 11 E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não podia de modo algum endireitar-se. 12 E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade. 13 E pôs as mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a Deus. 14 E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de sábado. 15 Respondeu-lhe, porém, o Senhor, e disse: Hipócrita, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou jumento, e não o leva a beber? 16 E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa? 17 E, dizendo ele isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele”. João, 5:1-9, “02 Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres. 04 Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse”. 05 E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. 08 Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e anda. 09 Logo aqueles homem ficou são; e tomou o seu leito, e andava. E aquele dia era sábado. 10 “Então os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar o leito”. E 9:1-14. (Leia em sua Bíblia).
Quando criticado em face de Sua obra de alívio ao sofrimento, Jesus replicou: É lícito fazer bem aos sábados”. (Marcos, 3:4 e Mateus, 12:12). Suas atividades curadoras não transgrediram o sábado, muito menos o aboliu. Mas elas significaram o fim do pesado fardo de regulamentos humanos que haviam conduzido à distorção do significado do sábado como instrumento divino de refrigério e deleite espiritual. Deus pretendia que o sábado servisse para o enriquecimento espiritual da humanidade. Atividades que estimulem a comunicação com Deus são apropriadas; aquelas que nos desviam do propósito de conservar santo esse dia, não o é.
O Senhor do sábado convida a todos que siga o Seu exemplo. Aqueles que atende o Seu chamado desfrutam do sábado como dia de deleite e festa espiritual, como se fosse um pré-requisito para o Céu. Descobrem que o sábado foi designado por Deus para prevenir os desencorajados espiritualmente. Semana após semana, o sétimo dia conforta a nossa consciência, assegurando-nos que, a despeito de nossos caracteres imperfeitos, somos completos em Cristo Suas realizações no Calvário servem como nossa expiação. “INGRESSAMOS EM, SEU REPOUSO”.
Deus o abençoe.

BIBLIOGRAFIA
Nisto Cremos – Casa Publicadora Brasileira
O Grande Conflito – Ellen G. White
A História de Nossa Igreja – C.P.Brasileira
Do Sábado Para o Domingo – Carlyle B.Haynes
A Bíblia Sagrada – Trad. De João Ferreira de Almeida.


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