Décima Sexta Palestra

Ministério
 Edifício Espiritual
 Edmur Hawthorne
  Palestras Bíblicas 16/30

OS REMANESCENTES E SUA MISSÃO

Antes que ocorra qualquer acontecimento importante na terra, Deus envia sempre uma mensagem que anuncia aos habitantes o que vai suceder e como devem preparar-se para o acontecimento. A mensagem de Noé foi: Vem um dilúvio. Isso era verdade para sua geração. A mensagem de Ló foi: e Deus destruirá essa cidade com fogo. E isso também era verdade. A mensagem de João Batista foi: eis o Cordeiro de Deus. E Cristo iniciou seu ministério. Nossa mensagem para hoje é: Cristo voltará. Esta é a mensagem mais importante confiada ao homem para estes dia. "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim". (Mateus 24:14).

A VINDA DE CRISTO
Cristo vem! Que pensamento comovedor! Sua vinda tem sido a esperança dos homens de todas as épocas, o canto dos poetas, a visão dos profetas! Esta mensagem traz esperança ao desanimado, gozo ao triste, saúde ao enfermo e vida eterna ao fiel.

Vamos ler algumas passagens onde a Bíblia nos mostra a veracidade da breve volta de Jesus. Em João 14: 2 e 3, “02 Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. 03 E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. Jesus disse claramente a seus discípulos: "Vou preparar-vos lugar”. E quando eu for, e vos preparar lugar, não sabemos nem o dia nem a hora que nosso Senhor voltará, porém sabemos que o tempo está próximo, I Tessalonicenses 5:1, Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva”.

Cada um saberá quando Cristo chegar. "Eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá". (Apocalipse 1:7. Ninguém terá que publicá-lo nos jornais. Não haverá necessidade de anunciá-lo pelo rádio ou pela televisão. "Porque assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será sua vinda." Mateus 24: 27. Será um acontecimento espetacular. Salmos 50:3. "E o Senhor se bramará de Sião, e se fará ouvir de Jerusalém, e os céus e a terra tremerão; mas o Senhor será o refúgio de seu povo, e fortaleza dos filhos de Israel." (Joel 3: 16)

Quando Ele vier, cada um receberá sua recompensa. Apocalipse, 22:12, 12 E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra”. Haverá só duas classes de pessoas naquele dia: os que amam a Deus e os que não O amam. Cada um terá um destino diferente. Mateus 25: 34 e 41 “34 Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; 41 Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”;
O SELO DE DEUS
A observância do Sábado é um sinal de que conhecemos a Deus. Êxodo 31: 13, Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica”. Há muitas pessoas que está esquecendo-se de Deus o Criador, e creem em falsos deuses. Alguns adoram os deuses da ciência e as várias intenções que lhes trazem comodidade e satisfação. Há outros que rendem culto ao deus do conhecimento, na esperança que, através da investigação e dos descobrimentos, todas as enfermidades possam ser combatidas e eliminadas. Outros põem a confiança em si mesmos, pensando que por seus próprios esforços serão supridas todas as suas necessidades. Quem assistiu o Globo Repórter do dia 10.02.2012, falando da profecia do calendário Maia, pode ver verdadeiros absurdos e despreparo bíblico e tamanha falta de fé em Deus.

Porém, "a sabedoria deste mundo é loucura para Deus". O homem não pode salvar-se por sua própria sabedoria ou poder. Somente Deus pode salvar-nos da destruição. Devemos andar com Deus para sermos salvos e um dos melhores meios para nos relacionarmos intimamente com Ele é guardando seu Sábado.
A igreja foi comissionada para chamar a atenção do mundo para o verdadeiro Deus, que criou os céus e a terra. João, o discípulo amado, disse: "E vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que habitam sobre a terra e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: temei a Deus, e dai glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, a terra, e o mar, e as fontes das águas". (Apoc. 14:6 e 7).

Adoramos a Deus porque O reconhecemos como criador, e O reconhecemos como criador guardando os seus mandamentos. O quarto mandamento manifesta claramente que devemos guardar o sétimo dia, porque "em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há". Porque ao ensinar o povo a guardar o sétimo dia, o induzimos a adorar o verdadeiro Deus. O quarto mandamento é o único dos dez que identifica a Deus, o Criador, como o único a quem adorar. Santificando seu dia, temos o sinal do Deus vivo. E também lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre Mim e eles: para que soubessem que Eu sou o Senhor que vos santifica (Ezequiel 20:12 e 20).

A HORA DO JUÍZO
Quando Jesus vier para receber o Seu povo, tem que saber quem o constituiu. Isso significa que um juízo investigativo deve preceder a Sua vinda. Quando essa investigação for completada e o mundo tiver sido advertido, Cristo Virá. A obra do juízo está se realizando agora no céu, pois o juízo investigativo começou em 22 de Outubro de 1.844, conforme estudamos na décima primeira e décima quinta Palestra. Nesse dia, "o Juiz se assentou e abriram-se os livros." (Daniel 7:10). Esse grandioso acontecimento foi profetizado por Daniel, séculos antes. Deus declarou a seu profeta: "até 2.300 tardes e manhãs; e o santuário será purificado". (Daniel 8:14).

A purificação do santuário terrestre, chamada “Dia da Expiação”, realizava-se no “sétimo mês, aos dez dias do mês, uma vez por ano” veja Levítico 16: 29-34, 29 E isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e nenhum trabalho farão nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós. 30 Porque naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o SENHOR. 31 São um sábado de descanso para vós, e afligireis as vossas almas; isto é estatuto perpétuo. 32 E o sacerdote, que for ungido, e que for sagrado, para administrar o sacerdócio, no lugar de seu pai, fará a expiação, havendo vestido as vestes de linho, as vestes santas; 33 Assim fará expiação pelo santo santuário; também fará expiação pela tenda da congregação e pelo altar; semelhantemente fará expiação pelos sacerdotes e por todo o povo da congregação. 34 E isto vos serão por estatuto perpétuo, para fazer expiação pelos filhos de Israel de todos os seus pecados, uma vez no ano. E fez Arão como o SENHOR ordenara a Moisés”. O período dos 2.300 dias profetizados terminou em 22 de Outubro de 1.844, (conforme estudamos na Décima Quinta Palestra), e então o juízo investigativo iniciou no céu.
Cada pessoa é julgada pelos mandamentos. "De tudo o que se tem ouvido, o fim é: teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo o homem". (Eclesiastes 12:13). "A Lei de Deus é norma pela qual o caráter e a vida do homem serão aferidos no juízo... no juízo todo nome é mencionado, cada caso minuciosamente investigado... aceitam-se e rejeitam-se nomes. Quando alguém peca, e não há pedido de perdão e não são perdoados, seus nomes são registrados no livro da vida e o relato de suas boas ações apagados do livro memorial de Deus. Não sabemos quando será considerado nosso nome, nem quando serão fechados os livros do céu. Silenciosamente, despercebida como ladrão à meia-noite virá à hora decisiva. Enquanto o homem de negócios está absorto em busca de lucros, enquanto o amante dos prazeres procura satisfazer-se a si mesmo, enquanto a escrava da moda está a arranjar seus adornos, pode ser que naquela hora o Juiz de toda a terra pronuncie a sentença: “Pesado foste na balança e achado em falta”. (Daniel 5:27)," (O Grande Conflito pág.522, 523 e 531).
"Quando a obra da igreja for terminada, Cristo virá. Não temos tempo para malbaratar as coisas mesquinhas e triviais da terra. A mensagem evangélica que levamos demanda pressa. Quando encerrar a mensagem do terceiro anjo, a misericórdia não mais pleiteará em favor dos culposos habitantes da terra. O povo de Deus terá cumprido a sua obra. Cessa então Jesus de interceder no santuário celestial. Levanta as mãos, e com grande voz diz: Está feito". Idem página 665, leiam Apocalipse 22: 12. (Já mencionado acima).
                                                A MENSAGEM DE DEUS NA BÍBLIA

"Sem a Bíblia, não teríamos uma mensagem para levar ao mundo. Somente Deus tem uma resposta para as necessidades dos homens. Só Ele conhece o futuro, e o tem revelado em Sua palavra, II Timóteo 3:16 e 17. 16 Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; 17 Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”. Toda a Bíblia é dada por inspiração de Deus, e é proveitosa. Devemos dar atenção tanto ao Novo quanto ao Velho Testamento. O Velho Testamento derrama luz sobre o Novo e o Novo sobre o Velho”. Ellen G. White Conselho Aos Professores, Pais e Estudantes. Pág. 417.
É conveniente e correto ler a Bíblia; porém nosso dever é esquadrinhá-la. Devemos procurar diligentemente o tesouro escondido e buscar sabedoria do Céu para separar as invenções humanas dos mandados divinos. Devemos dizer como o salmista em Salmos 119:9 e 11,“09 Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. 11 Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti”.

Conforme estamos estudando desde o início, podemos notar que a Bíblia prediz o futuro, conforme podemos ler em Amós 3:7, Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas”. Os santos profetas escreveram esses segredos no livro, informando-nos por esse meio relativamente aos acontecimentos do passado, presente e futuro. Nossa responsabilidade como cristãos que somos, é dar a mensagem de Deus ao mundo. Cada um de nós que tenha recebido a luz da verdade, se encontra sob a mesma responsabilidade solene e terrível, em que esteve o profeta de Israel a quem viera à palavra do Senhor, que está registrada em Ezequiel 33:7-11, “07 A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca, e lhe anunciarás da minha
 parte.                                                                                                                                                        08 Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares, para dissuadir ao ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, porém o seu sangue eu o requererei da tua mão. 09 Mas, se advertires o ímpio do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, ele morrerá na sua iniquidade; mas tu livraste a tua alma. 10 Tu, pois, filho do homem, dize à casa de Israel: Assim falais vós, dizendo: Visto que as nossas transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como viveremos então? 11 Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel”?
OS REMANESCENTES


Em todos os tempos Deus preservou algumas pessoas ou uma nação para que guardassem os seus mandamentos, para que preservassem a verdadeira fé no evangelho eterno, no evangelho puro, no evangelho que salva, sem mácula, sem contradição. Vamos citar alguns casos desde os primeiros até os nossos dias. Queremos alertá-los que todos os que se dispuseram a servir a Deus, foram marginalizados, injuriados, presos e até mesmo mortos, por não obedecerem à vontade dos homens e dos reis que governavam este mundo.

O DRAMA DOS SÉCULOS
O maior dos dramas de todos os tempos está se desenrolando na Terra. Por cerca de seis mil anos, os anjos e outros seres do universo têm observado o desenvolvimento desse misterioso drama. Começou com sua exaltada posição, quis ser Deus. Ressentido por haver Deus criado a Terra sem que ele tomasse parte no conselho, Lúcifer acusou o Pai de egoísta, de ser irrazoável e tirânico. O enciumado anjo declarou que ele ia idear um plano melhor, que daria a toda a liberdade e prazer maiores que os de Deus. O Todo-Poderoso poderia ter destruído Lúcifer naquele momento, mas muitos seres poderiam ficar então com a idéia de que ele fora demasiado severo e que Lúcifer talvez tivesse razão. Assim, Deus permitiu que Lúcifer tivesse a oportunidade de comprovar suas pretensões. Ezequiel 28: 15-19, 15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti. 16 Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas. 17 Elevaram-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei diante dos reis te pus, para que olhem para ti. 18 Pela multidão das tuas iniquidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te veem. 19 Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste, e nunca mais subsistirá”.

Foi dada aos anjos oportunidade de escolher o caminho de Deus ou o engano de Satanás. A maioria dos seres permaneceu leal a Deus; mas a Terça parte dos anjos e mais tarde os primeiros habitantes da terra obedeceram a Satanás. Dessa maneira chegou a ser o príncipe deste mundo, e este planeta se converteu no cenário em que se desenrola o drama.

Foi permitido a Satanás demonstrar seus planos e levar a efeito suas experiências. Suas pretensões demonstraram-se falsas. O pecado e o egoísmo não trouxeram felicidade ao mundo. A maioria dos homens tem dado ouvidos a Satanás e cedido às suas tentações. O mundo se tem enchido de ódio e cobiça tristeza e crime. Satanás deleita-se com a miséria e se compraz com o sofrimento e o derramamento de sangue. Deus nunca obriga o homem a servi-lo; tampouco há de permitir que Satanás obrigue alguém a pecar. O livre arbítrio foi outorgado a todo ser humano no princípio, e não lhe foi tirado. Satanás não pode exercer poder sobre a pessoa que se recusa a servi-lo. Cada pessoa na terra decide por si mesma a que Deus seguirá, ou a quem obedecerá. Pertence-nos a faculdade de escolha. O drama está no derradeiro ato, e cada um de nós se encontra no palco. Nossas ações individuais são observadas por outros. "Somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens". (I Coríntios 4:9). Quando terminar esse drama, todos no universo, inclusive Satanás, estarão convencidos de que "a lei do Senhor é perfeita" e que Deus é santo, justo e bom.

A IGREJA DO ANTIGO TESTAMENTO

Porque, quanto ao Senhor, seu olho passa por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele”. (II Crônicas 16:9).

O conflito entre Cristo e Satanás que tem como centro o nosso mundo, é hoje, a princípio, o mesmo que foi no começo. Satanás busca a honra e adoração que só pertencem a Deus, enquanto a maioria dos homens e mulheres tem seguido o caminho egoísta de Satanás, tem havido também em todas as épocas os que têm permanecido leais a Deus. Resistiram à tentação e permaneceram firmes apesar das ondas de maldade.

A IGREJA DO VELHO TESTAMENTO:
Da criação até nossos dias, os que obedeceram a Deus foram chamados por vários nomes, como filhos de Deus, semente de Abraão, filhos de Israel, e cristãos. Todos tiveram as mesmas crenças fundamentais. Hoje aqueles que sustentam essas crenças, que seguem os mandamentos de Deus e anunciam a volta de Jesus são chamados: "o povo do advento", porque observa o sétimo dia como dia de repouso, e anunciam com fé que Jesus Cristo voltará em breve. Aqueles que dizem que os que guardam os mandamentos de Deus são israelitas comete um grande erro. Pois, na realidade, são verdadeiros israelitas espirituais. Por exemplo, os egípcios renunciaram a seus ídolos e aceitaram o Deus de Moisés e de Arão, chegaram a ser israelitas. Raabe de Jericó, e Rute a moabita, não somente foram contadas como israelitas, mas também foram ascendentes do Messias. Quando um israelita violava as cerimônias do santuário, era cortado do seu povo, ou como diríamos hoje, era excluído da igreja e já não tinha parte nela. A igreja do Velho Testamento aceitou a lei de Deus como sua regra de vida. A lei dos Dez Mandamentos é a expressão universal, eterna, invariável do caráter de Deus. Muito antes que as tábuas de pedra foram dadas a Moisés no Monte Sinai, o povo de Deus já guardava os mandamentos. Deus disse: "Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o Meu Mandamento, os Meus preceitos, os Meus estatutos e as Minhas leis" (Gênesis 26:5).

Depois que Israel foi levado cativo e o templo de Salomão foi destruído, a maioria do povo continuou considerando a Lei de Deus como seu guia. "Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor e para cumprir e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos" Esdras 7: 10. Os judeus esperavam a vinda do Messias. Desde que se fez a primeira promessa a Adão e Eva no Jardim do Éden, o povo de Deus tem suspirado num anelo de que chegue o tempo em que não haja mais pecado nem pecadores. “Profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: esperava a cidade que tem fundamento, da qual o artífice e construtor é Deus”. (Hebreus 11:10). A vinda do Senhor tem sido a esperança dos séculos. Deus amou o homem de tal maneira que estava disposto a fazer qualquer coisa para salvá-lo. Só havia um caminho. Deus deu Seu Filho unigênito para morrer em lugar do homem. A vida eterna não se herda nem se ganha: é inteiramente uma "dádiva de Deus". O israelita do Velho Testamento mostrava sua fé no plano da salvação ao oferecer um sacrifício. Colocava as mãos sobre a cabeça do cordeiro, confessava seus pecados e matava o animal, reconhecendo desse modo que era pecador, e que se achava condenado a morrer por seus próprios pecados. Aceitava, pela fé, o plano de Deus, pois o cordeiro era um símbolo do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Chegava a ser homem livre e nova criatura pela fé no Messias vindouro.
O membro da igreja do Novo Testamento demonstra sua fé no plano da salvação por meio do batismo. Entra na água, é imerso e erguido novamente, reconhecendo assim que era um pecador condenado a morrer por seus próprios pecados. Aceita, pela fé, o plano de Deus de lavar seus pecados no sangue do Cordeiro. Como Cristo se ergueu no sepulcro, assim o pecador que aceita a Cristo como seu Salvador se levanta da água do batismo como pessoa livre, nova criatura, para andar em novidade de vida, a vida cristã.
Instruções procedentes de Deus - o Senhor falava face a face com Adão e Eva quando eles viviam no jardim do Éden, antes do pecado. Durante dois mil e quinhentos anos, depois da entrada do pecado, as mensagens de Deus são dadas oralmente a Seu povo. Deus falou a certas pessoas: 'Disse o Senhor a Noé, (Gênesis 7:1). “Ora, o Senhor disse a Abraão”, (Gênesis 12:1). “Depois disse a Jacó”, (Gênesis 35:1). “Bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés”! (Êxodo 3: 4). A maior parte do conhecimento e da vontade de Deus foi transmitida ao povo pela boca dos patriarcas. Sua longevidade, sua mente vigorosa e fiel memória, habilitavam-nos a transmitir conhecimentos preciosos. Por exemplo: Sem, filho de Noé, recebeu instruções de seu bisavô Matusalém, o qual se relacionou pessoalmente com todos os patriarcas de seu tempo. Durante os primeiros noventa e oito anos de vida, Sem teria acompanhado seu bisavô em suas visitas a diferentes lugares de grande interesse. Matusalém era filho de Enoque, “o sétimo depois de Adão”, tinha apenas duzentos e quarenta e dois anos quando Adão morreu. Logicamente Adão contou toda sua história pessoalmente a Matusalém, que por sua vez contou a Sem, e dessa maneira Sem pôde contar as comovedoras histórias às dez primeiras gerações que viveram depois do dilúvio, porque vivia ainda quando Isaque se casou com Rebeca.

Moisés foi o primeiro escritor de quem Deus se serviu a fim de escrever instruções permanentes para Sua igreja e conservar esses fatos para as gerações futuras. Durante os mil anos seguintes, vários homens escreveram certas porções das Escrituras. Essas histórias, profecias e poesias inspiradas, escritas em pergaminhos, eram lidas às congregações aos Sábados e em outras ocasiões especiais. Esses escritos são conhecidos por nós como o Velho Testamento. A igreja, naqueles tempos, ouvia as mesmas palavras que lemos hoje nessa parte da Bíblia.

Se bem que o Velho Testamento fosse escrito por homens diferentes, inteiramente diversos pela época, educação e posição social, todos eles escreveram por inspiração do Espírito Santo. A Bíblia não é obra meramente humana, “mas homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”, (II Pedro 1:21). Conforme estudamos em lições anteriores, muitas vezes Deus ilustrou seus ensinamentos com símbolos ou figuras, para que suas mensagens fossem facilmente compreendidas pelos Seus seguidores, e ao mesmo tempo para que os incrédulos não entendessem, pois eles perduraram até nós. Veja Daniel 12: 10 “Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão”. A maior lição prática do antigo Israel foi o santuário. Nele estava demonstrado o plano de salvação; nele se revelava a obra do santuário no céu. O edifício, suas cortinas, os móveis, a ordem do serviço, as vestes dos sacerdotes, as ofertas e cerimônias, eram todos símbolos e ensinavam muitas lições. O santuário e seu serviço são temas para os estudiosos da Bíblia.

DIREÇÃO DIVINA
Nos tempos do Velho Testamento, Deus pelejava por Seu povo. Os filhos de Israel não eram uma nação militar, e sua história indica que raras vezes obtiveram uma vitória por seu próprio poder e estratégia. Quando seguiam as ordens de Deus, venciam todos os adversários. Desde a tomada de Jericó até a destruição do exército de Senaqueribe, as vitórias de Israel foram milagres de Deus. Senaqueribe, o grande e terrível guerreiro que fazia tremer as nações mais poderosas, foi impotente ante o rei de Israel. O preparo de Ezequias para a batalha foi diferente da de um general de exército. Antes de reunir mais tropas e equipar seus homens com melhores armas, ele orou a Deus do Céu. Deus respondeu a essa sincera oração enviando um anjo ao acampamento dos Assírios, e em uma noite foi morta cento e oitenta e cinco mil dos soldados, capitães e oficiais. Nunca mais esse orgulhoso rei pôde enfrentar a Israel - II Reis 19: 9-11, 35-37, “09 E, ouvindo ele dizer de Tiraca, rei da Etiópia: Eis que saiu para te fazer guerra; tornou a enviar mensageiros a Ezequias, dizendo: 10 Assim falareis a Ezequias, rei de Judá: Não te engane o teu Deus, em quem confias, dizendo: Jerusalém não será entregue na mão do rei da Assíria. 11 Eis que já tens ouvido o que fizeram os reis da !@#$%^&*íria a todas as terras, destruindo-as totalmente; e tu, te livrarás”? 35 Sucederam, pois, que naquela mesma noite saiu o anjo do SENHOR, e feriu no arraial dos !@#$%^&*írios a cento e oitenta e cinco mil deles; e, levantando-se pela manhã cedo, eis que todos eram cadáveres. “36 Então Senaqueribe, rei da Assíria, partiu, e se foi, e voltou e ficou em Nínive. 37 E sucedeu que, estando ele prostrado na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Sarezer, seus filhos, o feriram a espada; porém eles escaparam para a terra de Ararate; e Esar Hadom, seu filho, reinou em seu lugar”. Quer fossem os fiéis Israelitas “homem de guerra”, quer fossem os trezentos de Gideão, quer fosse Davi com sua funda, sempre Deus lhes deu gloriosas vitórias. Mas quando desobedeciam aos mandos do Senhor, ficavam fracos e eram facilmente vencidos, mesmo atacando uma pequenina cidade de Ai. Os homens fiéis de Deus foram personagens fortes e nobres. Noé não se desanimava facilmente. Pregou mais ou menos cem anos aos pecadores que lhes ridicularizavam a fé em Deus. José foi forte, escravo em uma nação pagã, tentado pela esposa de seu próprio amo, ele não pecou, mas exclamou: “Como, pois faria eu este tamanho mal, e pecaria contra Deus?” Era um homem em quem se podia confiar, e foi honrado com uma posição de grande autoridade. Jó foi forte. Nem a prosperidade, nem a adversidade lhe fizeram vacilar na fé. Reconheceu a Deus como o doador de todo Dom perfeito. Depois de ser privado de quanto possuía, disse: “O Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor”. (Jó 1: 21). Mesmo quando padeceu terríveis sofrimentos físicos e foi acusado por seus amigos, não perdeu a confiança em Deus.

A IGREJA DO NOVO TESTAMENTO
"Eis aqui está o vosso Deus" Isaias 40:9.
Quando os judeus foram levados cativos para Babilônia, aprenderam a confiar em Deus. Depois de sofrer nas mãos de seus inimigos, convenceram-se de que a obediência à lei de Deus era a única esperança de felicidade. Restaurados à pátria depois do cativeiro, os seus olhos foram empanados por motivos egoístas. Em vez de compreenderem o sentido real dos Dez Mandamentos, viam apenas os requisitos legais. A lei que os deveria haver ensinado a amar ao “próximo como a si mesmos”, foi empregada como um muro de separação dos povos de outras nações que necessitavam de Deus. Ao invés de ser uma luz para os gentios, os judeus ocultavam a mensagem do Céu. Ao invés de empregar a lei do Senhor como uma chave para soltar as ligaduras do pecado, os judeus a usaram como um cadeado para conservá-los prisioneiros.

Nessa hora de grande apostasia do povo judeu, baixou Cristo a Terra e iniciou-se a igreja do Novo Testamento. Crença do Novo Testamento - A Igreja do Novo Testamento recebeu suas crenças fundamentais do Velho Testamento. Aceitou a Lei de Deus como regra de vida. Compreendendo que alguns poderiam pensar que Ele viera invalidar a lei, Jesus declarou positivamente: "Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir". (Mateus 5:17). Dessa maneira, por preceito e, por exemplo, Cristo engrandeceu a lei. A igreja do Novo Testamento também amou e engrandeceu a lei. Paulo declarou: “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei do Senhor” - Romanos 7: 22.
A IGREJA APOSTÓLICA
Nos tempos do Velho Testamento, quando Israel saiu do Egito, Deus era o governador e Moisés Seu representante visível. Mais tarde, o povo pediu um rei, para ser como as outras nações ao seu redor, e Deus lhes deu o que pediram. (I Samuel 8:5e22, “05 E disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações. 22 Então o SENHOR disse a Samuel: Dá ouvidos à sua voz, e constitui-lhes rei. Então Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um à sua cidade”.
(Leiam todo o capítulo de I Samuel e vejam a rebeldia do povo, e como perderam grande parte das bênçãos de Deus, por trocarem o verdadeiro Deus por um rei humano).

Passados mais de mil anos, o povo ainda não tinha aprendido a lição por terem rejeitado a Deus. Ao vir Cristo, os dirigentes judaicos O rejeitaram publicamente: "não temos rei senão a César." (João 19: 15). Ao rejeitarem a Deus, apartaram-se da fonte de poder e logo a nação judaica foi derribada. Não obstante, muitos deles não rejeitaram a Deus, creram em Jesus Cristo, e O aceitaram como Messias. Formaram uma igreja, e chamaram-se a si mesmos "Cristãos".

Esses primeiros cristãos da igreja primitiva foram uns verdadeiros Remanescentes. Além dos doze apóstolos, havia Paulo, o maior evangelista de todos os tempos; também havia Barnabé, Silas, João Marcos, Apolo, Timóteo, Tito e outros que dedicaram todo o seu tempo a ganhar almas, cumprindo assim a ordem do Mestre: "Ide por todo mundo e pregue o evangelho a toda à criatura" (Marcos 15: 15).

A IGREJA EM TREVAS
Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Apocalipse 2: 10. Amargurado por sua derrota no conflito com Cristo, e reconhecendo ser certa sua sentença, Satanás decidiu apagar da Terra todo traço de justiça. Já que não pudera vencer a Cristo, venceria Seus seguidores, se possível. Toda forma de tortura que pôde inventar toda sorte de tentação que foi possível à sua mente arguta idear, tudo foi empregado nos discípulos de Cristo. Procurou cobrir de mistério os simples ensinos do Salvador, suscitar dúvidas e incertezas quanto às mais positivas declarações da Bíblia. “Espiritualizar” ou tirar o sentido das mais definidas revelações. Inspirou seus agentes humanos a lutarem contra a igreja cristã, interna e externamente. Tomou a Bíblia, odiou o cristianismo, resolveu destruir a ambos. O período da Idade Média, com toda a sua ignorância, degradação, corrupção e pecado, foi quase um triunfo completo de Satanás e sua hoste infernal.
A perseguição dos cristãos - Os seguidores de Cristo tiveram de fazer face à prova e à aflição poucas semanas depois que o Senhor ascendeu ao Céu. Os discípulos foram encarcerados por falar no templo de Jerusalém. Estevão apedrejado, Atos 7: 54 e 59-60, “54 E, ouvindo eles isto se enfurecia em seus corações, e rangiam os dentes contra ele. 55 Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; 56 E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. 59 E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. 60 E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor não lhes impute este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu”.
E os membros da igreja fugiram das cidades para escapar da morte. Ao propagar-se o cristianismo pelo império romano e entrar em conflito com o paganismo, os seguidores de Jesus foram encarcerados, torturados e mortos. Nero foi uns dos mais cruéis imperadores de Roma. Odiava os cristãos porque se recusavam a adorar os ídolos nos templos pagãos. Acusou os seguidores de Cristo de cometerem crimes contra o governo e de serem os causadores de fome, pestes, e terremotos. Para entreter os romanos, Nero e outros imperadores lançavam os cristãos aos leões e tigres no Coliseu, ou faziam deles tochas vivas para iluminar o anfiteatro.
Parece estranho, mas essas terríveis perseguições acrescentavam mais pessoas à igreja. Quando os pagãos romanos viam os cristãos orarem e cantarem hinos enquanto morriam, seus corações eram tocados, e os cidadãos do império queriam saber mais a respeito de Jesus. Desde então, o sangue dos mártires chegou a ser a semente que produziu milhares de novos conversos para a igreja.

As horas mais escuras da perseguição para a igreja primitiva foram as dos anos 100 a 300 da era cristã. Diocleciano foi o último imperador pagão que tentou destruir o cristianismo. Por dez anos incendiou igrejas e torturou os fiéis seguidores de Jesus. A onda de perseguição terminou no ano 313 dC.

O CRISTIANISMO EM FACE DAS CONCESSÕES
Satanás vendo que a espada não colocava um fim à igreja cristã experimentou outro meio de ataque. Intentou tornar a igreja popular no ato de introduzir os ritos e cerimônias pagãs na religião cristã. A prosperidade temporal e a glória mundana foram muito mais perigosas que a perseguição. Bem, o paganismo se misturou às doutrinas ensinadas por Jesus. Os adoradores de ídolos misturaram-se à igreja, e apenas mudaram os objetos de sua adoração: dos ídolos pagãos às imagens de Jesus, da virgem Maria e dos santos canonizados pela igreja.

Como já dissemos em estudos anteriores, Constantino, imperador de Roma, fez-se cristão. Publicou a primeira lei dominical no ano 321, pedindo que todos os habitantes da cidade, comerciantes, descansassem no venerável dia do sol. Vemos assim como o Estado procurou regenerar o povo mediante o rigor da lei; e, como as festas pagãs e demais cerimônias, se introduziram na igreja. A grande parte dos cristãos não percebeu o perigo e aceitaram os arranjos ou ajustes entre os ensinos de Cristo e o paganismo. De pronto perdeu a igreja sua pureza, e a verdade foi corrompida.

A APOSTASIA NA IGREJA
II Tessalonicenses 2: 1-03 e 08, “01 ORA, irmãos, rogamos-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, 02 Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. 03 Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição”, 08 E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda”.
Pouco a pouco, os falsos ensinos se infiltraram na igreja. Foram perdendo a fé simples à medida que crescia a riqueza dos cristãos, e se faziam poderosos nos negócios e no governo. No ano 476 d.C., as tribos bárbaras do norte derrotaram os romanos: e nas lutas que se seguiram, o dirigente da igreja cristã de Roma, conhecido como Papa, chegou a ser a cabeça da igreja em geral.

Em breve o Papa se fez tão poderoso que os reis o temiam. Como representante da igreja, foi considerado supremo nos assuntos de fé e moral. Não se punha a Bíblia ao alcance dos membros, em parte porque naqueles tempos só se podiam conseguir cópias manuscritas, mas, principalmente, porque os dirigentes da igreja não permitiram que o povo estudasse as Escrituras Sagradas para não encontrarem outras doutrinas, como a imortalidade da alma, o culto aos santos, o purgatório e a observância do Domingo, nas quais não foram ensinados por Jesus Cristo.

A igreja de Roma declara que mudou o dia de culto do sétimo dia para o primeiro dia da semana. A observância do Domingo como instituição cristã, veio do paganismo, ao que Paulo chama o "O mistério da iniquidade". (II Tessal. 2: 7).

SÉCULOS DE TREVAS

Por volta do século VI, os dirigentes romanos tinham o predomínio sobre a maioria das igrejas cristãs. Essa poderosa organização foi conhecida como o Papado tendo o papa por cabeça. No ano 538, o poder papal chegou à supremacia e começou um período de obscurantismo. Por 1260 anos, como haviam predito as profecias de Daniel e do Apocalipse, conforme já estudamos no décimo quarto andar, a igreja Católica Romana dominou sobre os reis da Europa. Por meio dessa autoridade secular, a igreja obrigou os seguidores de Jesus a escolherem entre as falsas doutrinas e cerimônias pagãs do catolicismo, ou sofrerem prisões e talvez morte pelo cutelo ou a fogueira.

Esse período foi chamado de Idade Média ou Escura. Havia muita erudição nas universidades e catedrais medievais, mas espiritualmente eram de escuridão. Ensinava-se ao povo que a salvação era obtida só pelos sacramentos da igreja, mediante lealdade cega à autoridade e pagamentos liberais ou pela aquisição de indulgências, que os livrou da condenação do pecado e, consequentemente, do inferno e do purgatório. Eram vendidas para juntar dinheiro para a igreja, e eram vendidas até com antecedência, permitindo assim ao possuidor pecar futuramente. Aos soldados que pelejavam pela igreja era oferecido perdão dos pecados passados, presentes e futuros. Confiram tudo em II Tessalonicense 2: 1-12. (Leia em sua Bíblia)

EIS QUE BRILHA UMA LUZ
“Por entre as trevas que baixaram à terra durante o longo período da supremacia papal, a luz da verdade não poderia ficar inteiramente extinta. Em cada época houve testemunhas de Deus, homens que acalentavam a fé em Cristo como único mediador entre Deus e o homem, que mantinham a Escritura Sagrada como a única regra de vida, e santificavam o verdadeiro sábado. Quanto o mundo deve a esses homens, a posteridade jamais o saberá. Foram estigmatizados como hereges impugnados aos seus motivos, criticados os seus caracteres e suprimidos, difamados ou mutilados os seus escritos; no entanto permaneceram firmes, e de século em século mantiveram a fé em sua pureza como sagrado legado às gerações vindouras". (O Conflito dos Séculos pág. 61).

Nesse período foi muito difícil para o povo de Deus manter a verdade e guardar os mandamentos de Deus, pois a férrea autoridade papal não permitia que nem um pensamento transcrito fosse resguardado, tudo era queimado. Nem uma igreja dentro da jurisdição romana ficou muito tempo sem ser perturbada no gozo da liberdade de consciência.
Em terras que ficavam além da jurisdição de Roma, existiram por muitos séculos corporações de cristãos que permaneceram quase inteiramente livres da corrupção papal. Esses cristãos acreditavam na perpetuidade da Lei de Deus e observava o quarto mandamento, o sábado. Igrejas que se mantinham nessa fé e prática existiram na África Central e entre os armênios, na Ásia.

Mas entre os que resistiram ao cerco cada vez mais apertado do poder papal, os Valdenses ocuparam posições preeminentes. A falsidade e a corrupção papal encontraram a mais decidida resistência na própria terra em que o Papa fixava sua sede.

Dentre as principais causas que levaram a igreja verdadeira a separar-se de Roma, estava o ódio desta ao sábado bíblico. O Papa não se conformava que os verdadeiros cristãos santificassem o sábado. Ele obrigava as pessoas a desonrá-lo. Era unicamente fugindo do poder de Roma que alguém poderia em paz obedecer a Lei de Deus. Os Valdenses foram os responsáveis em conservar as Sagradas Escrituras, que possuímos hoje; foram eles que traduziram parte ou toda a verdade incontaminada, e isso se tornava objeto de ódio e perseguição. Durante muitos séculos, houve alguns entre os Valdenses que negavam a autoridade papal, rejeitava o culto às imagens como idolatria e guardavam o verdadeiro sábado. Com muito sacrifício eles conservaram a fé. Eles viviam como pastores de ovelhas nas montanhas onde mantinham seus esconderijos. Ali conservaram a luz da verdade a arder por entre as trevas da Idade Média. Anjos celestiais circundavam esses fiéis obreiros. Mas Satanás incitara sacerdotes e prelados a enterrarem a palavra da verdade sob a escória do erro, heresia e superstição; mas de modo maravilhoso foi ela conservada incontaminada através de todos os séculos de trevas.

"Apesar das cruzadas contra eles e da desumana carnificina a que foram sujeitos, continuavam a mandar seus missionários a espalhar a perigosa verdade. Eram perseguidos até à morte; contudo seu sangue regava a semente lançada, e essa não deixou de produzir frutos” (Conflito dos Séculos pág. 61).
“Outros grandes nomes de reformadores, que deram a vida pela verdade, e muitos deles foram queimados vivos na fogueira papal, estão: João Wicliff, quando imperou o Papa Gregório XI; Wicliff traduziu a Bíblia para a língua inglesa. João Huss foi um dos que leram os escritos de Wicliff, creu e traduziu para a língua Boêmia. Quando jovem, foi excelente aluno e membro fiel da igreja Católica Romana. Quando chegou a sacerdote, impugnou intrepidamente a vida ímpia dos dirigentes da igreja e seus ensinos, que se apartavam das Escrituras”. C.S. E.G.W.

“Com sua intrepidez despertou interesse a centenas de jovens estudantes de toda parte da Boêmia e da Alemanha; Huss chegou a ser reitor da universidade de Praga, e o rei o nomeou sacerdote da corte real. Huss foi proibido de pregar suas convicções, mas teve uma brilhante ideia. Ele e seus companheiros pintaram no muro em Praga, dois quadros e ali todos podiam ver. Em um deles aparecia Jesus descalço, e com vestes de peregrino, dirigindo-se a Jerusalém, seguido dos discípulos. O outro era um quadro de uma procissão papal, onde aparecia o Papa em suas ricas vestes, com a tríplice coroa montado em um cavalo esplendidamente adornado, precedido por uns trombeteiros seguido por cardeais e bispos luxuosamente ataviados”. Idem.
“Por essa brilhante ideia, Huss foi chamado perante um concílio do imperador Sigismundo, do Santo Império Romano. Ao chegar a Constança, foi aprisionado e encerrado em um calabouço. Preferiu morrer a negar a verdade. Dirigiu-se valorosamente à fogueira, e morreu cantando hinos de louvor. Suas cinzas foram recolhidas e dispersas nas águas do Reno; Jerônimo foi outro herói. Seguidor de Wicliff e Huss chegou a ser preso e devido ao grande sofrimento retratou-se; mais tarde, porém arrependeu-se de sua falta de coragem e declarou sua verdadeira convicção. Perante a corte declarou que não mudaria sua crença a menos que, pela Bíblia, lhe mostrassem seu erro. Condenado à morte, Jerônimo foi queimado no mesmo lugar onde havia assistido a morte de seu amigo Huss, e suas cinzas também foram lançadas ao Reno”. Idem.

MARTINHO LUTERO

As opiniões que se seguem são baseados no livro (O. G. Conflito de Ellen G. White).
Paginas 317 a 342
"A reforma protestante teve seu grande começo devido ao valor e fé de Martinho Lutero. Com a idade de vinte anos, Lutero já era consumado erudito. Entrou num mosteiro para aperfeiçoar sua vida cristã. Procurava agradar a Deus por meio de penitências, jejum e oração. Lia a Bíblia em latim, a primeira Bíblia que viu em sua vida, e aprendeu as corporações das Escrituras.

Foi um dia convidado a dirigir-se a Roma com outro monge, para apresentar alguns assuntos importantes perante os altos dignitários da igreja. Esperava ver na igreja o máximo de piedade e exemplo. Observou os sacerdotes italianos que oficiavam nos serviços religiosos, e ficou impressionado pela irreverência e falta de piedade entre os dirigentes da igreja. Haviam informado Lutero das virtudes especiais que possuía uma escada que, segundo se pretendia, fora levada milagrosamente de Jerusalém para Roma. Segundo a tradição, Jesus subira e descera os vinte e oito degraus no julgamento perante Pilatos. Disseram a Lutero que se subissem esses degraus de joelhos dizendo orações, poderia livrar uma alma do purgatório. Desejoso de beneficiar um tio que falecera, Lutero decidiu subir a escada. Enquanto ia subindo degrau após degrau, sentiu-se possuído de santa reverência; ao acercar-se, porém, da parte superior, dúvidas começaram a atormentar sua mente. Começou a se perguntar se seria verdade; e de repente penetrou-lhe profundamente no pensamento a promessa bíblica: "O justo viverá pela fé". De um salto, pôs-se de pé, e desceu apressadamente a escada, sem pensar no tio morto nem na surpresa dos peregrinos que iam subindo atrás dele.
De regresso à Alemanha, foi lecionar na Universidade de Wittenberg. Como suas classes eram de exposição da Bíblia, se impôs a tarefa de estudá-la nas línguas originais. No estudo dos Salmos e dos escritos do apóstolo Paulo, aprendeu mais plenamente o grande ensino da justiça pela fé.

As dúvidas de Lutero quanto aos ensinos da igreja aumentaram quando observou a venda das indulgências. No ensino católico, era um favor concedido pelo Papa para abreviar o castigo que uma pessoa sofreria no purgatório. Segundo esse ensino, o Papa podia conceder tais indulgências, porque os apóstolos e santos da antiguidade haviam vivido ainda melhor do que necessitavam para entrar no céu, de modo que haviam deixado uma sobra de boas obras em benefícios de outros homens. Podiam conseguir indulgências mediante certos atos ou pagamento em dinheiro.

O Papa lançara uma campanha a fim de arrecadar enorme soma para erigir a igreja de S. Pedro em Roma. João Tetzel foi enviado à Alemanha como coletor, e fez uma grande propaganda em favor das indulgências que chegou a afetar a igreja de Lutero. Seus membros começaram a considerar o pecado levianamente, e quando Lutero os repreendia, mostravam-lhe os papéis em que era garantido o perdão. Interpretavam as indulgências como permissão para pecar. Isso foi demais para Lutero.

No dia primeiro de Novembro de 1.517, Lutero pregou na porta de madeira da igreja do Castelo de Wittenberg uma lista de noventa e cinco teses como temas para um debate entre os professores da Universidade. Usava-se comumente a porta da igreja para fixar cartazes que anunciavam essas notícias. Se bem que não tivessem de distribuir senão umas poucas cópias do documento entre seus colegas, o povo achou tão revolucionárias essas ideias, que imediatamente pediram mais exemplares. Um imperador tirou uma edição de vários milhares e logo foram lidas por toda a Europa.

Lutero negava que o Papa tivesse uma provisão de méritos para distribuir. Portanto as indulgências eram inúteis. Atacou em especial o método por ele empregado para juntar dinheiro na Alemanha, a fim de manter uma corte corrupta em Roma. E como era de se esperar, logo essas notícias chegaram a Roma; as altas autoridades da igreja resolveram fazê-lo mudar de idéia. Entretanto Lutero aproveitou essa oportunidade para escrever mais detalhadamente acerca dos princípios delineados nas noventa e cinco teses. Embora Lutero gozasse sólido apoio popular e político na Alemanha, os representantes do Papa estavam suscitando uma opinião contra ele. Caso seus novos ensinos fossem aceitos pela maioria, o poder do papado enfraqueceria grandemente.

Cerca de quatro anos mais tarde, Lutero foi citado para comparecer perante o concílio de príncipes alemães na cidade de Worms. Foi-lhe prometido um salvo-conduto, mas seus amigos temiam que fosse tratado como Huss. Lutero atendeu valorosamente e se apresentou perante o concílio presidido pelo imperador Carlos V. Indicando uma pilha de livros colocada em um banco, o examinador perguntou: "Reconheceis esses livros como vossos e estais dispostos a retratar o seu conteúdo?" Lutero reconheceu que havia escrito os livros, mas quanto à segunda pergunta, explicou as diferenças entre as classes de livros que havia escrito e desse modo teve oportunidade de pronunciar um discurso contra os males do papado. Ao terminar, o dignitário que respondia pela dieta, disse: "Não respondestes à pergunta que vos foi dirigida. O imperador exige de vós uma resposta clara e precisa. Quereis retratar, sim ou não?" Lutero respondeu: "Não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus queira ajudar-me, amém".
Essa valorosa defesa sacudiu o catolicismo até os fundamentos. Quando Lutero abandonou a cidade de Worms, foram dados vinte e um dias para chegar até a sua cidade, sob a proteção do salvo-conduto do imperador. Em sua viagem de regresso, foi ele aprisionado por amigos e levado para o castelo de Wartburgo, a fim de protegê-lo do imperador. Desfrutou dessa oportunidade descansando no velho castelo, e depois de algum tempo começou a escrever. Levou a cabo um projeto que há muito tempo acariciava: a tradução do Novo Testamento para o Alemão.

Depois de algum tempo, Lutero regressou a Vitembergue e reiniciou sua pregação e ensino, visto gozar ainda do apoio de seus amigos. Terminou a tradução da Bíblia para o Alemão, e fê-la imprimir, de modo que tanto ricos como pobres puderam ler seus divinos ensinamentos.

A REFORMA PROTESTANTE
 
"Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou teu Deus; Eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da Minha justiça" (Isaias 41:10).

"Um dos mais nobres testemunhos já proferidos pela Reforma foi o protesto apresentado pelos príncipes cristãos da Alemanha, na Dieta de Espira, em 1.529. A coragem, fé e firmeza daqueles homens de Deus, alcançaram para os séculos que se seguiram, a liberdade de pensamento e consciência. O protesto deu à igreja reformada o nome de Protestante; seus princípios são a própria essência do protestantismo". (O Conflito dos Séculos, pág, 197).

Foram vários os nomes desses homens valorosos que deram sua própria vida para que o evangelho eterno chegasse até nós, e são esses alguns dos nomes: Ulrico Zwingli - João Lefévre - Guilherme Farel - João Tausen - João Calvino - João Knox. Além dos já citados Huss - Jerônimo e Martinho Lutero.

A IGREJA NA AMÉRICA
Se fosse dado a vocês possuir um dos dons que mais apreciaram na vida, qual escolheria? Dinheiro? Fama? Êxito? Não, um dos maiores dons que possuímos é a liberdade. Esta é a nossa herança, obtida por meio de lutas e sangue, e defendida com sacrifícios, suor e lágrimas.

Deus é o autor da liberdade. Ao ser criado o homem, foi-lhe concedida à faculdade de escolher, de seguir o caminho de Deus ou a sentença má e egoísta de Satanás. Quando o homem pecou, ambicionou mais poder e começou a tirar a liberdade a seus irmãos. Na Idade Média, quando a verdade de Deus estava quase esquecida, os tiranos governavam sobre seus semelhantes. Foi negado ao homem o direito de adorar a Deus segundo a própria consciência. Havia pouca ou nenhuma liberdade de pensamento ou expressão.
A Reforma tornou possível aos homens abrirem a Bíblia para estudá-la livremente e convencer-se da verdade à medida que descobriam. Ao serem traduzidas as Sagradas Escrituras em várias línguas, o povo comum leu-a com gozo. Johann Gutenberg inventou os tipos móveis e desse modo tornou possível a arte de imprimir. A Bíblia de Gutenberg apareceu nos anos em que Colombo descobriu a América. A Palavra de Deus, o Novo Mundo e a liberdade se acham ligados em nossa história.

Deixamos de mencionar aqui muitos outros nomes importantes da Reforma Protestante, que vocês poderão conhecê-los lendo em qualquer livro do assunto, principalmente "O Grande Conflito, de Ellen G. White". Em cumprimento às três mensagens Angélicas, de que fala o Apocalipse 14:6-12, “06 E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, 07 Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. 08 E outro anjo seguiram, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição. 09 E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, 10 Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. 11 E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome. 12 Aqui estão às paciências dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”. (Que vamos estudar no próximo andar), surge no início do século dezenove um homem chamado Guilherme Miller. Guilherme Miller era um agricultor, íntegro de coração. Primeiro duvidava da Bíblia, mas desejava sinceramente conhecer a verdade. Era robusto e bom estudante, homem honrado. Estava disposto a ser guiado por Deus para proclamar a mensagem do advento.
Durante a primeira parte do século dezenove, Guilherme Miller foi um dos preeminentes pregadores americanos sobre a vinda de Cristo. Era o mais velho de uma família de dezesseis filhos criados por um valoroso pai. Participou da guerra da Independência. Sua mãe, senhora de acendradas virtudes, era filha de um pregador batista. Assim, o filho nascido em Massachusettes, reunia as qualidades de patriotismo e piedade dos pais.
Miller casou-se com Lúcia Smith. A jovem esposa experimentava compreensivo interesse e amor do marido pelos livros, e animou-o na obra que chegou a ser mais tarde sua carreira. Miler conquistou o respeito do público tão somente por desempenhar os cargos de sargento, primeiro meirinho (hoje, Oficial de Justiça) e Juiz de paz.
Rompeu a guerra entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha em 1812. Miller serviu como capitão do exército e teve oportunidade de ver o pior aspecto da guerra. Depois da guerra, o lar recém-formado de Miller, na Granja de Low Hampton, chegou a ser o lugar preferido dele e dos amigos. Em certa ocasião, sua mãe o censurou porque sempre se ausentava quando os diáconos liam na igreja. Miller respondeu que se lhe persistisse tomar a leitura quando o ministro estivesse ausente, prometia assistir regularmente. Foi aceita a sugestão. Um domingo de manhã, quando o ministro se achava ausente, Miller foi chamado como de costume para ler na igreja. Enquanto lia, sentiu-se possuído de profunda convicção, e foi-lhe impossível continuar a leitura. Ele conta o incidente da seguinte maneira: "Subitamente, diz ele, gravou-se-me ao vivo no espírito o caráter do Salvador. Pareceu-me que bem poderia existir um ser tão bom e compassivo que, por nossas transgressões fizesse expiação, livrando-nos, destarte, de sofrer a pena do pecado. Compreendi desde logo quão amável esse ente deveria ser, e imaginei poder lançar-me em Seus braços, confiante em Sua misericórdia. Mas surgiu a questão: Como se pode provar a existência de tal Ser? Afora a Bíblia, achei que não poderia obter prova da existência de semelhante Salvador, nem sequer de uma existência futura.. Vi que a Escritura Sagrada apresentava precisamente um Salvador como o que eu necessitava; e fiquei perplexo por ver que um livro não inspirado desenvolvia princípios tão perfeitamente adaptados às necessidades de um mundo decaído. Fui constrangido a admitir que as Escrituras devem ser uma revelação de Deus". (O Conflito dos Séculos, pág. 319).
Miller pôs de lado seus comentários da Bíblia e começou a ler as Escrituras de maneira metódica, estudando e comparando versículo com versículo. Agora podia fazer bom emprego de seus conhecimentos de história. É interessante notar que Miller experimentou uma conversão e um profundo sentimento de companheirismo com Cristo antes de começar sua investigação da Bíblia. À medida que prosseguiu em seus estudos, descobria métodos mais eficazes. Entre eles, os seguintes importantes princípios: a Bíblia interpreta a si mesma; uma passagem é explicada por outra, de modo que ao estudar o conjunto comparando passagem com passagem, o estudante chegará à verdade. A Bíblia deve ser interpretada literalmente, exceto onde é claro o simbolismo, como nas parábolas e nas representações proféticas. O investigador da Escritura deve ter fé. A profecia de Daniel 8: 14, que estudamos na Palestra anterior, intrigava Miller. Estudou e repassou os algarismos e as datas. Por volta de 1.818, depois de dois anos de concentrado esquadrinhamento, Miller exprimiu sua crença de que a vinda de Cristo estava próxima.
Uma sensação de dever oprimia Miller, e durante cinco anos investigou a Bíblia em busca de maior luz. Mui pouca animação recebeu de outros dos quais esperava que compartilhassem o resultado de seus estudos. Mas de uma ordem imperiosa: "Vai ao mundo sobre o perigo que ameaça." Esperou durante nove anos até tomar coragem para sair e pregar. Finalmente, em 1.831, Miller fez com Deus o concerto de que sairia e apresentaria suas convicções caso o convidassem. Meia hora depois de sua decisão, chegou um sobrinho de Miller com o pedido de que pregasse ao povo de Dresden, Nova York, a uns vinte quilômetros dali. Deixando em casa seu sobrinho, Miller foi a um bosque para orar. Ali lutou com Deus e pediu que o dispensasse de sua promessa. Não se pôde livrar do que lhe parecia seu dever e seu voto, de modo que decidiu aceitar o convite. Saiu do bosque convertido em um pregador, e dirigiu-se a Dresden.
Por essa notável vicissitude, um ardente estudante se transformou em um poderoso pregador das Escrituras. Sua reputação irrepreensível aliada a sua pureza, retidão e sinceridade, granjearam-lhe a admiração até mesmo dos zombadores. Ninguém mereceu tanto o título de "a voz do segundo advento" como Guilherme Miller. Também em outros países houve homens que se sentiram impulsionados a proclamar a doutrina da Segunda vinda de Cristo e o notável é que, embora trabalhassem independentemente, todos pregavam a mesma mensagem.

Guilherme Miller sacudiu a América com sua pregação sobre a volta de Cristo. Durante oito anos de sua pregação, manteve correspondência tanto na América como em toda Europa. Em dez anos pregou mais de três mil sermões em quase mil lugares. Em 1.848 esse veterano ficou cego, e morreu no ano seguinte, confinado na esperança da Volta do Salvador.

Hoje somos nós os REMANESCENTES. Não quer você também juntar a nós e fazer parte "com o restante de sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus?" (Apoc. 12:17).

Deus o Abençoe.


BIBLIOGRAFIA

A Bíblia Sagrada (João Ferreira de Almeida)
O Grande Conflito (Ellen G, White).
História de Nossa Igreja (Casa Publicadora Brasileira)

Quando quiser entrar em contato mande um e-mail:
Profº. Edmur Hawthorne


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