Décima Sétima Palestra

Ministério
Edifício Espiritual
Edmur Hawthorne

Palestras Bíblicas 17/30



REAVIVAMENTO E REFORMA.

Ao iniciarmos este edifício Espiritual, dissemos na introdução “O Alicerce” que iríamos conhecer os livros de Daniel e Apocalipse, já estamos na 17ª Palestra, para falarmos sobre este assunto, nada melhor que iniciarmos lendo Apocalipse, 3:14-20, 14 E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: 15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! 16 Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. 17 Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; 18 Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. 19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. 20 Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. O reavivamento, expresso nas palavras do Apocalipse, indica o amoroso cuidado do nosso Salvador por Seus filhos. Seu convite final nos impressiona pela delicadeza e interesse de que a escolha seja feita de forma consciente, já que reavivamento é algo que vem de dentro para fora. Por isso a expressão “Eis que estou à porta e bato... e se alguém ouvir e abrir entrarei...”, significa que lá dentro do coração, da mente, da vida, ocorrerá a comunhão com Jesus e o milagre da renovação espiritual que Ele tanto deseja efetuar.
Quando olhamos para o livro do Apocalipse e nos deparamos com a lista das sete igrejas com sua descrição espiritual e as mensagens dadas por Deus para elas, nos detemos sempre na última igreja, porque sua condição espiritual nos chama a atenção principalmente por causa das advertências divinas para seu comportamento autoconfiante, mas que na verdade tem necessidades espirituais grandiosas que só Deus conseguiria resolver. Laodicéia se tornou com o passar do tempo, um simbolismo do que pode acontecer com o povo de Deus que necessitará do fogo do Espírito Santo para aquecê-los e tirá-los da mornidão.

A mensagem ao povo de Laodicéia aplica-se a todos os que tiveram grande luz e muitas oportunidades e, contudo, não as valorizaram. No entanto, apesar de tudo que sabemos sobre Laodicéia é bom que se diga que a mensagem divina para ela é uma mensagem de esperança. Uma mensagem de condução Àquele que justifica e salva: Jesus. Com Ele a direção da fé será restaurada e a vida cristã terá o sabor do reavivamento que Deus deseja despertar em seu povo. Com Ele dificilmente ficará apático, indiferente e andando em círculos, pois é o caminho, a verdade e a vida.
Nas desoladas paisagens do Ártico, onde Terra e Céu parecem confundir-se num só, o viajante precisa reconhecer as marcas, tais como regatos e valados. Geralmente precisa cavar fundo para ver se está sobre a terra ou gelo do mar. Se ele se descontrolar, perder-se-á ou chegará ao mesmo ponto de partida. A vida pessoal e até a vida cristã para muitos é meramente um “andar em círculos”. Porém, para qualquer um de nós, Jesus torna-Se o caminho, quando Lhe concedemos o lugar certo no coração. Ele conhece a direção que o Céu está e nos guiará, guiará Seu povo para lá com a motivação do Espírito Santo. Amém. Quando enviamos uma mensagem para alguém, geralmente nos identificamos de acordo como desejamos ser vistos. 

A identificação pode ser amigável, autoritária, informal, carinhosa, amorosa ou indiferente. Quem lê a mensagem percebe de imediato como o emitente quer ser visto dependendo do titulo que adicionar ao nome. Por exemplo: “Seu amigo...” ou ainda “Doutor Fulano” ou “Seu pai”, “Sua mãe”, etc... Jesus ao Se dirigir à Laodicéia utilizou alguns títulos com significados importantes para a condição do seu povo.

Por que Jesus usou os títulos “o Amém”, “a Testemunha fiel e verdadeira” e “o princípio da criação de Deus”? Apocalipse, 3:14e15; (Acima citado), 2Coríntios, 1:20: Porque todas quantas promessas há de Deus, são Nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós”. Colossenses, 1:13-17, 13 O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; 14 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; 15 O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; 16 Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. 17 E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. Jesus é o “Amém”, porque finaliza todas as coisas, confirmando Suas promessas. É a Testemunha Fiel porque é o único que nos defende com propriedade porque Se tornou um de nós e nos conhece totalmente. É o Princípio porque é o Criador, o que gerou todas as coisas e por Ele e Nele somos valorizados como filhos. Jesus Se mostrou a Laodicéia como Aquele que tem toda a autoridade para fazer reviver uma pessoa sem vida. Ele como Criador como testemunha e, como cumpridor de Suas promessas deseja dar à pessoa uma nova vida espiritual, através do reavivamento. 2Coríntios 5:17, Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. E Gálatas, 6:14e15, 14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. 15 Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura”.

O que estes textos significam para você? Só Jesus pode nos recriar espiritualmente, fazendo com que a criação destruída pelo pecado, seja transformando e renovada pela Sua presença. Se estivermos Nele, o passado de pecado não existirá diante de uma vida vitoriosa em Cristo. A mudança mais importante em nossa vida é operada pelo poder da cruz de Cristo. Nada neste mundo tem o poder de transformar a natureza humana, a não ser o poder de Cristo através do Espírito Santo. Deus muda um coração de fera em um cordeiro, muda um “lixo social”, como o mundo rotula os fracassados, em pessoas de bem, em homens e mulheres restaurados para viver glorificando a Deus e testemunhando do Seu milagre.

Um pregador falava em praça pública a um grande número de ouvintes, falando da transformação que Cristo faz na vida das pessoas. Como muitas vezes acontece, um escarnecedor interrompeu-o dizendo: “Pastor, o seu Cristo pode fazer tanta coisa como você está dizendo; mas não pode mudar a roupa deste mendigo que está ao seu lado”. O pregador, sem se perturbar respondeu: “Realmente! Nisto o senhor tem razão. Cristo não vai mudar a roupa deste mendigo ao meu lado, mas Cristo pode mudar o mendigo que está dentro dessa roupa, tornando-o uma nova criatura, pois eu mesmo já fui um alcoólatra e um mendigo e Deus não transformou minhas roupas, mas me transformou dentro das roupas sujas que eu vestia”. As pessoas também podem ser transformadas e novas criaturas.
Por que Jesus repreendeu de modo severo as pessoas de Laodicéia? O que significa ser morno? Que outras palavras Jesus poderia ter usado em lugar de “morno”? Apocalipse, 3:15e16, 15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! 16 Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”. Jesus repreendeu Laodicéia de forma severa, mas com amor e com a intenção de despertar os seus membros para um reavivamento espiritual. Ao dizer: “És morno”, falava da necessidade de buscar resolver problemas espirituais representados: indiferença, indecisão, orgulho e hipocrisia. Laodicéia tinha um abastecimento de água que vinha canalizada de uma fonte por quase oito quilômetros, até chegar à cidade. Quando a água chegava para ser utilizada, já estava morna por causa do efeito do sol no trajeto. Jesus parafraseou esta situação, comparando a temperatura espiritual desta igreja a uma água morna que ninguém apreciava beber e utilizou a comparação para repreender as pessoas dizendo: “Vomitar-te-ei da minha boca” (Apoc. 3:16). Qual é o propósito da repreensão divina? Hebreus, 12:7-11; “07 Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? 08 Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. 09 Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? 10 Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. 11 E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela”. Jó 5:17-20; 17 Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso. 18 Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam. 19 Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal não te tocará. 20 Na fome te livrará da morte; e na guerra, da violência da espada”. Salmos, 94:12; Bem-aventurado é o homem a quem tu castigas, ó SENHOR, e a quem ensinas a tua lei”; Provérbios, 29:15e17, “15 A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe. 17 Castiga o teu filho, e te dará descanso; e dará delícias à tua alma”.

O objetivo da repreensão é mostrar que Deus nos ama e quer nossa felicidade, justificação e santificação. Deus quer nos tornar sábios e obedientes. Deus odeia o pecado, mas ama o pecador, principalmente se esse pecador já esteve em Sua presença perdoado, abençoado, aceito como filho. O esforço para salvar pode exigir do Céu muito mais do que imaginamos, porque Deus não admite perder um filho Seu. “O Senhor reprova e corrige o povo que professa guardar Sua lei... porque deles deseja separar todo pecado e impiedade, a fim de que aperfeiçoem a santidade em Seu temor, para serem trasladados para o Céu” (Meditações Matinais, 1977, p. 51).
O que Jesus quis dizer quando falou de “ouro refinado pelo fogo”, “vestiduras brancas”, e “colírio”? Apocalipse, 3:18e19; 18 Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. 19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te”. 1Pedro, 1:7; Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo”;  Zacarias, 3:1-5; “01 E ELE mostrou-me o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do SENHOR, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor. 02 Mas o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreenda, ó Satanás, sim, o SENHOR, que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado do fogo? 03 Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do anjo. 04 Então respondeu, aos que estavam diante dele, dizendo: Tirai-lhe estas vestes sujas. E a Josué disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniquidade, e te vestirei de vestes finas. 05 E disse eu: Ponham lhe uma mitra limpa sobre a sua cabeça. E puseram uma mitra limpa sobre a sua cabeça, e vestiram-no das roupas; e o anjo do SENHOR estava em pé”. Apocalipse, 19:7-9; “07 Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. 08 E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. 09 E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus”. Efésios, 4:30, E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção”.

O ouro refinado, provado pelo fogo representa a fé real que atua por amor a Jesus. Vestes brancas representam a justiça obtida pelo perdão e purificação concedidos por Cristo, que nos leva a praticar atos de justiça. O colírio representa o Espírito Santo, que nos convence da nossa necessidade e produz arrependimento em nosso coração. O reavivamento pode até parecer algo corporativo, mas a realidade da mensagem a Laodicéia mostra Jesus indo de coração a coração buscando entrada e solicitando um momento a sós com cada crente. Na verdade as ofertas de Jesus são de aceitação pessoal tais como: uma veste branca (Sua justiça oferecida ao que crê); um pouco de colírio nos olhos (visão espiritual perfeita através da experiência pessoal com o Espírito Santo); e uma cota pessoal de ouro (fé e amor genuínos) que valoriza a vida espiritual daquele que o possui. O reavivamento tem um segredo particular para acontecer e ser mantido, que é o poder da oração. A oração produz o poder da intervenção divina na direção das pessoas.
A ascensão de Jesus ao céu foi coroada com um acontecimento de sucesso sobrenatural ocorrido com Seus discípulos e descrita no livro de Atos e que nos inspira a desejarmos os mesmos resultados em nossa vida cristã nestes dias. A conversão descrita em Atos 2:41, “De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas” e depois o sucesso se repetiu como mostra Atos 4:4 “Muitos, porém, dos que ouviram a palavra, creram, e se elevou o número dos homens a quase cinco mil”. Tudo isto e muitos outros resultados descritos no livro nos levam a um desejo santificado de termos e vivermos a mesma experiência do passado com um motivo santificado (O poder do Espírito Santo) e um objetivo abençoado, ou seja: preparar um povo para a segunda vinda de Jesus. Precisamos apenas descobrir o segredo maior que levou os discípulos a demonstrar que o reavivamento é possível entre nós hoje. O segredo foi à comunhão em oração e o recebimento do poder do Espírito Santo que os levou ao testemunho e pregação da Palavra, perseverando em união da doutrina dos apóstolos, que era o amor e a fé ensinados por Jesus.

No reino de Deus nada acontece por acaso, pois Deus sempre nos dá um objetivo e um motivo para as conquistas que fazemos em Seu nome. A igreja primitiva partiu de um ponto de aparente fracasso (morte de Jesus) para as grandes conquistas espirituais no Pentecostes e conversão de milhares, através do motivo principal, ficarem unidos em oração para a conquista do objetivo maior, ser revestido de poder. Depois, o restante foi consequência dessas duas ocorrências na vida dos discípulos. Hoje também se quisermos ver os mesmos resultados em nossos dias, temos que nos preparar e agir por esses dois pontos: ficarmos unidos em oração e clamarmos pelo poder do Espírito Santo. “Só podemos esperar um reavivamento em resposta à oração. Enquanto o povo se acha tão destituído do Espírito Santo de Deus. Não pode apiedar a pregação da Palavra...” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 121).

O grande pregador Billy Graham disse o seguinte: “Orar é dialogar face a face com Deus. Milhares de pessoas só oram quando estão em tensão ou perigo, dominadas pela incerteza. Já estive em aviões em que o motor parou, e os passageiros começaram a orar em agonia de alma. Conversei com soldados que me disseram que nunca oraram, senão enquanto estiveram sob o fogo cerrado na batalha. Parece que é instintivo no homem orar nas horas de problema. Um cristianismo que não atinge a nossa vida comum e não cria o desejo, o hábito da oração jamais mudará o mundo. Desenvolva o poder da oração. Um homem tem mais poder quando está em oração, do que quando está atrás de um poderoso canhão. Uma nação tem mais poder quando se une em oração sincera a Deus, do que quando seus recursos se reduzem a armas de guerras. As respostas a todos os nossos problemas podem ser obtidas do contato com o Deus Todo-poderoso, principalmente os espirituais como o avivamento da nossa fé e a confiança em seu poder”.

Que tal tirarmos tempo para a oração? Uma vida de oração não se consegue de um momento para outro, mas é o resultado da comunhão diária com Deus e com o Espírito Santo. Era assim que Jesus obtinha poder para realizar as curas, expulsar demônios, ressuscitarem mortos e muitos outros milagres. Jesus levantava de madrugada para orar. Orava sempre em um lugar tranquilo Orava com frequência e buscava solução para tudo em oração. Jesus sentia necessidade de estar em oração, porque sabia que o terreno onde estava desenvolvendo o seu trabalho, era o campo minado do inimigo e ele não podia vacilar e deixar brecha para ser derrotado, por isso se prevenia em oração e se motivava com o poder de Deus em sua vida. Mesmo com todo o poder dos anjos à sua disposição e com o poder que possuía em si mesmo, ele ainda buscava a direção divina e o alimento para a alma em oração. Quanto isto nos ensina para os dias de hoje, pois somos derrotados de minuto em minuto, porque não temos poder nenhum em nós e não desenvolvemos nenhuma ligação com o céu, em função da falta de oração individual. Se não orarmos não teremos poder.


Nós também temos de ter um tempo para a meditação e oração, e para receber conforto espiritual. Não apreciamos como devíamos o poder e eficácia da oração. A oração e a fé farão o que nenhum poder da Terra conseguirá realizar” (Ciência do Bom Viver, p. 509). Jesus orava sempre por três momentos que representavam duras lutas, tal como a unidade dos discípulos, ou ainda a conversão de Pedro, assediado pelo diabo e também por Seu sacrifício na cruz, para que pudesse suportá-lo ao cumprir a vontade divina.

Caiam de joelhos: Há alguns anos, uma caravana de turistas ia subindo as encostas geladas das montanhas do Oeste dos Estados Unidos. De repente, vira-se em perigo, em virtude de um violento pé-de-vento que varria o costado da montanha. O guia imediatamente gritou-lhes: “Ajoelhai-vos. Só haverá salvação para os que se ajoelharem”. Era a voz da experiência, pois ele estava habituado a cruzar aqueles caminhos das montanhas íngremes e geladas, durante muitos anos, e sabia qual era o único meio de se salvarem. Assim é a vida. Tempestades nos colhem, às vezes inesperadamente, e nos ameaçam de um desastre espiritual e a única forma de escapar é caindo de joelhos como Jesus fazia, pois somente assim receberemos o Espírito Santo, que, nos tornará reavivados como Jesus era.

Certo pai estava lendo no seu gabinete, acompanhado de seu filho pequeno, que brincava no assoalho com blocos de madeira. De repente, o “menino disse: Papai, eu quero água”, e continuou brincando com os blocos, da mesma forma que o pai continuou lendo. Dai a pouco, o pequeno disse outra vez: “Papai, eu quero água.” Mas continuou entretido com seus blocos e o pai, com a leitura. Finalmente, o menino levantou-se, tocou o joelho de seu pai e pediu: “Papai, eu quero mesmo um copo d'água”. O menino chegara ao ponto de expressar o seu desejo com as mãos e, naturalmente, ganhou o que queria. Se em nossos pedidos ao Pai celeste, tivermos uma atitude displicente, por que haverá Ele de nos responder? Tantas vezes estamos tão entretidos em nossos prazeres, nosso negócios e em coisas de somenos importância, que nossos pedidos são fracos. Mas, quando estamos em tal necessidade que não propomos outros interesses e buscamos a Deus com afinco e transformamos em ação nossa prece, Deus sabe que estamos preparados para a resposta.

Alguém pode perguntar: Por que tenho que orar a Deus, se Ele conhece tudo a meu respeito? A resposta é que Deus deseja saber e ver se realmente temos necessidade do que pedimos e se cremos que Ele nos dará graciosamente o que foi solicitado através da fé.
 
Conta-se a história de um homem que fazia sua primeira grande viagem de navio. Os passageiros logo notaram que ele não aparecia às refeições, ao passo que alguns o viram, diversas vezes comendo bolachas. Só no último dia é que o viajante soube que, ao comprar o bilhete de viagem, tinha direito a todas as refeições. Ele estivera comendo bolachas para economizar, quando, o tempo todo, poderia ter usufruído das suculentas refeições, juntamente com os outros passageiros. Era necessário apenas pedir o alimento. Ele deixou de comer porque deixou de pedir. Muitos cristãos são como esse homem a bordo do navio. O apóstolo Tiago diz: “Não tendes, porque não pedis”, e de outras vezes não recebemos porque “pedimos mal” (Tiago 4.2,3).
O que é o reavivamento? O reavivamento não é um sentimento indefinido, um estado de êxtase religioso que a pessoa fica, mas é acima de tudo, vida transformada. O reavivamento não mostra sentimentos como resultado deste acontecimento, mas mostra obediência e vida santificada acima de qualquer coisa. Foi isto que o escritor do livro de Atos mostrou ao relatar os acontecimentos antes, durante e depois do Pentecostes.
Analise as reações de Pedro antes da cruz, depois da ressurreição e depois do Pentecostes. Que diferença a cruz, a ressurreição e o Pentecostes fizeram nas atitudes de Pedro? Mateus, 26:69-75,69 Ora, Pedro estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com Jesus, o Galileu. 70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. 71 E, saindo para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno. 72 E ele negou outra vez com juramento: Não conheço tal homem. 73 E, daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia. 74 Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou. 75 E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente”. Reação de Pedro antes da cruz; João, 21:15-19, 15 E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. 16 Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. 17 Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: SENHOR, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. 18 Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. 19 E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me”.
Reação de Pedro depois da ressurreição; Atos, 5:28-32, 28 Dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. 29 Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens. 30 O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro. 31 Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. 32 E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem”.

Reação de Pedro depois do Pentecostes. Antes da cruz, Pedro teve medo e negou a Jesus. Depois da ressurreição mostrou seu arrependimento por ter negado a Jesus e prometeu amá-Lo e obedecê-Lo com dedicação. Depois do Pentecostes teve coragem de enfrentar o Sinédrio e, sem medo, não parou de pregar sobre Jesus Cristo como Salvador. Foi o poder do Espírito Santo que transformou um Pedro medroso e rude em uma pessoa ousada, obediente, destemida e pronta para morrer por Jesus, se assim fosse necessário. Esse mesmo milagre pode ocorrer conosco hoje se nos entregarmos com fé e obediência nas mãos do Espírito Santo. Portanto, reavivamento se resume em vida transformada e obediente, resultando em conversões para a glória de Deus. Então, oremos suplicando a Deus, coragem para essa entrega e transformação em nossa vida. “É mediante a verdade, pelo poder do Espírito Santo, que devemos ser santificados - E para que esta mudança possa ocorrer em nós, importa que haja uma plena entrega da vida a seu poder transformador” (Meditações Matinais, 1962, p. 210).

Podemos encerrar este andar deste “Edifício Espiritual” com uma certeza, a nós revelados pelo Espírito Santo: a obediência guiada pelo Espírito é o fruto do reavivamento e esse exercício bendito transformará a nossa vida em um testemunho abençoado da presença divina em nós. Como vimos, a obediência tem um alto preço e todos os que a sustentarem pelo poder do Espírito do Senhor poderão sofrer perseguições e incompreensão de todos os lados, como vimos no relato sobre Pedro e outros personagens bíblicos que lutaram para manter-se fiel ao Senhor inflamados pelo reavivamento e testemunhando para atender o serviço do Senhor.
Devemos entregar-nos a Cristo, para viver uma vida de obediência voluntária a todos os Seus reclamos. Tudo que somos, todos os talentos e habilidades que possuímos, são do Senhor para serem consagrados a Seu serviço” (Meditações Matinais, 1977, p. 70).
Um ajudante de sapateiro trabalhava para um patrão muito paciente e reavivado pelo Senhor; não fosse isto, ele teria sido despedido por incapacidade. Cada manhã o empregado iniciava o trabalho com blasfêmias, praguejando e maldizendo a sorte de ter que trabalhar para ganhar o pão, em um trabalho tão pesado. Jogavam, em todas as direções contra as paredes, os sapatos que ia fazendo. Um dia, pelo testemunho do patrão paciente, aceitou a Cristo, e sua mente e coração começaram a refletir a mente daquele que foi também operário e que abençoou com sua dignidade o ofício de carpinteiro. O ajudante de sapateiro começou a descobrir novos interesses em seu trabalho diurno. Agora, o trabalho era uma alegria e uma bênção e de seus lábios ouvia-se o louvor de hinos cantados por ele. Quando chegava o sábado, ele descansava com alegria, tomando em consideração o mandamento do Senhor. Sua aparência e sua atividade eram agora diferentes. Ao invés de praguejar, despendia seu tempo em meditação e louvor a Deus, nosso Pai.
Os estudos das Palestras também nos mostraram como Deus nos surpreende com bênçãos ocultas que ele nos dá, conhecendo nossas necessidades mais íntimas. Foi assim com o apóstolo Paulo que projetou uma coisa para ir a Damasco, mas o Senhor o surpreendeu com algo muito melhor, transformando sua vida de perseguidor a um mensageiro da esperança aos gentios. Hoje nossas escolhas de vida poderá nos levar a tomar algumas decisões, porém nunca devemos nos esquecer de que se estivermos entregues nas mãos divinas, surpresas e bênçãos maravilhosas irão acontecer por conta da direção do Espírito Santo trabalhando em nós.
É possível compreendermos como a vida cheia do Espírito é abundante, ao pensarmos na Sua obra. Ele transforma o caráter, inspira o verdadeiro filho de Deus, ajuda os que buscam Cristo a encontrá-Lo, comunica uma mente sã, vivifica todas as faculdades, dignifica e enobrece, faz lembrar a verdade, ajuda os discípulos na luta contra as forças satânicas, defende toda alma contrita, revela as coisas profundas de Deus, revela Cristo em Seus seguidores, coopera na proclamação da Palavra, habilita os homens para os deveres da igreja e lhes outorga dons prometidos na comissão evangélica, além de desenvolver em todos quantos o recebem as maravilhosas graças, conhecidas como os frutos do Espírito. Nossa tarefa espiritual: orarmos pedindo com súplicas a Deus, que o Espírito Santo nos transforme para que nossa vida seja preparada para o reavivamento.
Por tudo que temos estudado até então, tem surgido uma pergunta muito eficaz que é a seguinte: O que é reavivamento e o que é reforma? É tudo a mesma coisa, ou não?
Reavivamento e reforma são duas coisas diferentes. Reavivamento significa renovação da vida espiritual, uma vivificação das faculdades do espírito e do coração, um ressurgimento da morte espiritual. Reforma significa reorganização, mudança de ideias e teorias, hábitos e práticas. A reforma não produzirá os bons frutos da justiça a menos que esteja ligada a um reavivamento do Espírito” (Serviço Cristão, pág. 42).
Amém.


Deus o abençoe
BIBLIOGRAFIA
A Bíblia Sagrada (João Ferreira de Almeida).
EGW. Serviço Cristão, pág. 42
Meditações Matinais, 1977, p. 70
Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 121
Liçôes 3º Trimestre 2013

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 Profº. Edmur Hawthorne






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