Vigésima Sexta Palestra

Ministério 
Edifício Espiritual
 Edmur Hawthorne
Palestras Bíblicas 26/30 
 
O DOM DE PROFECIA


COMO FORAM DADAS AS VISÕES
Se bem que a queda trágica de nossos primeiros pais no princípio os privasse de conversar com seu Criador face a face conforme Isaias 59:2, Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça”. Deus não deixou o homem sem meios pelos quais se pudesse com ele comunicar. Para os que deviam assim escolher se pudessem aproveitar inteligentemente das graciosas providências tomadas para sua salvação, era preciso receber instruções, informações e guia. Os métodos de comunicação eram bastante variados em sua natureza, indo desde a saudável voz de Deus ouvida em diversas ocasiões, ao Urim e Tumim Êxodo 28:30, Também porás no peitoral do juízo Urim e Tumim, para que estejam sobre o coração de Arão, quando entrar diante do SENHOR: assim Arão levará o juízo dos filhos de Israel sobre o seu coração diante do SENHOR continuamente”. Pelos quais o povo podia interrogar o Senhor. Em várias ocasiões anjos têm trazido do Céu mensagens diretas a indivíduos; por vezes Deus tem dado sonhos para advertir de perigos iminentes; e no decorrer de todos os séculos as vozes dos profetas se têm feito ouvir.

Desses vários meios de comunicação pregados pelo Senhor, o mais comum e mais amplamente usado era o do profeta. O próprio Deus declarou a Israel Sua intenção em linguagem simples: "Se entre vós houver profeta, Eu, o Senhor, em visão a ele Me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele" (Número 12:6). Informações, instruções e direções deviam ser dadas ao profeta, para que ele, por sua vez, as comunicasse ao povo. O processo pelo qual o profeta recebia a mensagem divina não era conversa face a face com Deus, nem por outro lado era mediante impressões ou fortes sentimentos, mas por um processo definido e divinamente escolhido, denominado "visões".

Em todos os séculos da história Deus teve Seus verdadeiros representantes entre os homens. Em nome do Todo Poderoso conservaram bem alto o estandarte da verdade e testificaram, corajosamente, do direito divino. Alguns desses baluartes da justiça destacaram-se mais do que outros, em face da época em que foram despertados por Deus para desempenharem uma função saliente. Nos relatórios que dizem respeito à aurora do mundo, lemos especialmente de Enoque, contemporâneo de Adão, a erguer a sua voz em clamor contra a impiedade e a anunciar juízo vindouro sobre toda a má  conduta. Mais tarde levanta-se Noé, outro destemido embaixador de Deus, "pregoeiro da justiça", anunciando uma mensagem decisiva contra a crescente onda da maldade humana, precursora de um dilúvio de águas. Abraão, "amigo de Deus"‚ o vulto mais proeminente da escalada das "testemunhas de Deus" depois do dilúvio até Cristo. Seus imediatos descendentes, Isaque e Jacó, seguiram-no destemidamente, fazendo refulgir com firmeza a divina luz da justiça celestial diante duma civilização desequilibrada. José, no Egito, e Daniel, em Babilônia, foram outros brilhantes porta-estandartes da verdade de Deus. A história do Velho Testamento está  repleta de outros dignos mensageiros do Altíssimo, que, com denodado zelo e rara devoção, desempenharam papel que lhes coube no divino plano de Deus.

Também a história do Novo Testamento está  ornada de eminentes homens, embora humildes e simples, que, como os do Antigo Testamento, levantaram sem temer a voz para testemunhar do Criador e de Seu Filho Jesus Cristo. Tão eloqüente foi o testemunho que deram que por Ele preferiram antes morrer a alterá-lo.
Um dos mais notáveis e destacadas luminares que brilhou na era apostólica em exaltação a Deus e do Salvador, foi João, o cognominado "discípulo amado". Seu pai era humilde pescador do mar da Galileia; e sua mãe Salomé parece ter sido íntima de Maria, mãe de Jesus. João foi um dos primeiros apóstolos a serem atraídos pelo humilde Nazareno.

A PESSOA DO PROFETA

Quando falamos em profecias, um  dos  principais  fatores de importância que surge, é a pessoa do profeta. Mas, um profeta não é profeta porque desejou ser ou porque se fez profeta por si mesmo. O profeta é o indivíduo a quem Deus chama e o investe no cargo de profeta, para exercer o ofício de profeta. Em nenhum caso um profeta de Deus investiu nesse honroso cargo  por sua conta própria. Não é qualquer homem que está categorizado a ser um profeta de Deus. Qualquer um deles não escolherá Deus para tão alta função de profeta. O homem da preferência de Deus  para  ser Seu honrado profeta, deve ser distinto, possuir qualidades que o  habilitem a esse tão sagrado ministério. Será um servo leal de Deus, fiel em todos os sentidos aos reclamos de Sua divina vontade como exarada em Sua santa Lei; um  homem humilde, despretensioso, zeloso da honra de Deus, da Sua causa e de  Seu  povo; porta-voz de Deus, desembaraçado deste  mundo, de  absoluta confiança, de fervente fé‚ e de muita oração. Enfim, um homem que consinta em que, Deus o dirija na obra para a qual é chamado e empossado. Assim foram os profetas de Israel, homens de absoluta honradez e elevada consagração.

Igualmente, o profeta não prevê coisa alguma. Tudo o que ele propala oralmente ou por escrito, em virtude de sua investidura como profeta, lhe é antecipadamente mostrado ou revelado por Deus. Como profeta ele é tão somente um porta-voz de Deus. É um mensageiro de Deus, portador de uma mensagem de poder, de aprovação, de repreensão, de conselho ou de previsão do futuro bom ou mau.
Portanto, as profecias das Sagradas Escrituras, procedentes da pena dos profetas de Deus, as únicas inspiradas e verdadeiras, não podem ser interpretadas segundo o molde do pensamento humano. Exclusivamente os eventos históricos delas comprobatórios, são os seus legítimos intérpretes.

A profecia nada mais é, segundo a palavra de Pedro, do que “uma luz que alumia em lugar escuro". (II Pedro 01:19). O futuro do mundo tem sido  iluminado ao povo de Deus pela palavra da profecia. Seu povo, que tem marchado através dos séculos em demanda de seu reino de paz e perfeição, não tem andado às cegas. Todo futuro tem sido claro, e isso revelou Deus  pelas profecias infalíveis, para que se precavesse em face de seus inimigos  de emboscadas ao longo do caminho. Todos os movimentos dos grandes impérios e das  nações da terra foram e são controlados por Deus e revelados a  seu escolhido povo que, em meio às tão variadas mutações da História prossegue para o supremo alvo, o glorioso reino do Senhor.  Tudo, porém‚ no que respeita aos marcos  principais da História, foi traçado  por  Deus  e comunicados aos profetas, Seus servos, principalmente a Daniel e João.
Acham-se sobre nós os perigos dos derradeiros dias, e cumpre-nos vigiar e orar, estudar e dar ouvidos às lições que nos são dadas nos livros de Daniel e Apocalipse, que estão nos revelando o que já dissemos na lição primeira: “O Alicerce” e “O futuro aberto aos olhos do presente". Como estamos notando, são profecias inspiradas, cujo cumprimento histórico tem sido incontestável. Resumindo, dizemos: Que gloriosa luz deu-nos Deus para este final da história humana. Anda na escuridão apenas aquele que quer! Que não seja o seu caso. Amém.

AS FUNÇÕES DO DOM PROFÉTICO EM, O NOVO TESTAMENTO.

O Novo Testamento concede ao dom de profecia um lugar proeminente entre os dons do Espírito Santo, colocando-o uma vez em primeiro lugar e duas vezes em segundo, entre os ministérios de maior  utilidade  para a igreja veja Romanos 12:6, De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé”; I Coríntios 12:27-28, Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. 28 E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”. E Efésios 4:11, E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”, Ela estimulou os crentes a desejarem de modo especial o dom de profecia. I Coríntios 14:1e39, “01 SEGUI o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar”. 39 “Portanto, irmãos procurem, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas”.

O Novo Testamento sugere que os profetas desempenhem as seguintes funções: 01 ­ que prestem assistência na função da Igreja Efésios 2:20-22; 20 Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; 21 No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. 22 No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito”. 02 - Que  elevem a extensão missionária da Igreja Atos 13:2 e 3; “02 E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. 03 Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. Barnabé e Saulo pregam em Chipre”. 03 - Que edifiquem a Igreja I Coríntios 14:3e4; “03 Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação. 04 O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja”. E a Jesus Cristo Efésios 4:11e12; 11 E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, 12 Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; 04 - Que unam e protejam a Igreja das falsas doutrinas Efésios 4:14; Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”. 05 ­Que advirtam os crentes quanto aos perigos e dificuldades futuras Atos 20:23, Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações”. 21:4, E, achando discípulos, ficamos ali sete dias; e eles pelo Espírito diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém”. 10:14; O qual, fixando os olhos nele, e muito atemorizado, disse: Que é, Senhor? E disse-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus”; 06) ­ Que ajudem os crentes na confirmação da fé em tempos  de controvérsia Atos 15:30-35, 30 Tendo eles então se despedido, partiram para Antioquia e, ajuntando a multidão, entregaram a carta. 31 E, quando a leram, alegraram-se pela exortação. 32 Depois Judas e Silas, que também eram profetas, exortaram e confirmaram os irmãos com muitas palavras. 33 E, detendo-se ali algum tempo, os irmãos os deixaram voltar em paz para os apóstolos; 34 Mas pareceu bem a Silas ficar ali. 35 E Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor”.

O DOM PROFÉTICO NOS ÚLTIMOS DIAS

Muitos cristãos creem que o dom profético cessou no  encerramento da era apostólica. Mas a Bíblia revela a necessidade especial de orientação divina durante as crises do tempo do fim; isso testifica da contínua necessidade da  provisão do dom profético depois dos  tempos do Novo Testamento. Não existe qualquer evidência bíblica de que Deus haveria de retirar os dons espirituais por Ele concedidos à Igreja, antes que completasse Seu propósito, o qual, de acordo com Paulo, seria levar a Igreja   “à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13). Uma vez que a Igreja ainda não alcançou tal experiência, necessita ela ainda da presença dos dons do Espírito. Esses dons, incluindo o dom de profecia, continuarão a operar em benefício do povo de Deus até o retorno de Cristo. Consequentemente, Paulo advertiu os crentes a não “extinguir o Espírito” nem “desprezar as profecias”, (I Tessalonicenses 5:19e20), aconselhando ainda: "procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente, o de profetizar”. (I Coríntios 14:1).

Nem sempre esses dons se manifestaram abundantemente na experiência da igreja cristã. Após a morte dos apóstolos, os profetas desfrutaram de respeitabilidade em muitos círculos, até por volta do ano 300 d.C. Mas o declínio da espiritualidade da igreja e a consequente apostasia, conduziram a uma redução tanto da presença do Espírito quanto de Seus dons. Ao mesmo tempo falsos profetas ocasionaram perda de confiança no dom profético.

O declínio do dom profético durante certos períodos da história da Igreja não significou que Deus houvesse retirado o dom permanentemente. A Bíblia indica que, ao aproximar-se o fim dos tempos, o dom estaria presente a fim de assistir a Igreja durante esses momentos de dificuldades. Mais ainda, ela garante que haveria um incremento na atividade desses dom.

O DOM PROFÉTICO IMEDIATAMENTE ANTES DO SEGUNDO ADVENTO

Deus concedeu o dom profético a João Batista para que anunciasse o primeiro advento de Cristo. De modo similar, podemos esperar que Ele enviasse o mesmo dom para proclamar o Segundo Advento, de modo que todas as pessoas tenham oportunidade de se preparar para o encontro com o Salvador.

De fato, Cristo mencionou o surgimento de falsos profetas como um dos sinais da proximidade de Sua segunda vinda Mateus 24:11 e 24, 11 E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos e 24 Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”. Se não devessem existir profetas verdadeiros durante o tempo do fim, Cristo  não teria  advertido contra qualquer indivíduo que pretendesse possuir o  dom. Sua  advertência  no  tocante aos falsos profetas  implica  que  existiriam igualmente  profetas verdadeiros. O profeta Joel anunciou um  derramamento especial do Santo Espírito e do dom profético justamente antes do  retorno de Cristo. Ele disse: em Joel 2:28-31, 29 E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. 30 E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. 31 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR”.

O primeiro Pentecostes testemunhou memorável manifestação.  ‘Pedro, citando a profecia de Joel, destacou que Deus havia cumprido a Sua promessa Atos 2:1-5e14-18, “01 E, CUMPRINDO-SE o dia de Pentecostes, estavam todos concorde mente no mesmo lugar; 02 E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. 03 E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. 04 E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 05 E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. 14 Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. 15 Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. 16 Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: 17 E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; 18 E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão”;

Entretanto, devemos indagar se a profecia de Joel encontrou seu pleno e total cumprimento no dia de Pentecostes ou se ainda devemos esperar outro  cumprimento, mais amplo e mais completo. Não possuímos evidências de que os fenômenos no Sol e na Lua, mencionados por Joel, ocorreriam antes ou depois do derramamento do Espírito. Na verdade, eles não ocorreram senão muitos séculos mais tarde (veja a Segunda Palestra deste Edifício).

O Pentecostes representou, portanto, um prelúdio da plena manifestação do Espírito que verá ocorrer antes do Segundo Advento. Tal como a chuva temporã da Palestina, a qual caía no outono, pouco tempo depois que as sementes eram lançadas ao solo, o derramamento do Espírito Santo, por ocasião do Pentecostes, inaugurou a dispensação do Espírito. O cumprimento pleno e final da profecia de Joel corresponde à chuva serôdia, a qual,  caindo na  primavera, amadurecia o grão Joel  2:23, E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no SENHOR vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva temporã; fará descer a chuva no primeiro mês, a temporã e a serôdia”. Semelhantemente, a concessão final do Espírito de Deus deverá acontecer imediatamente antes do segundo Advento, depois dos sinais preditos para o Sol, Lua e estrelas conforme Mateus 24:29, E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Apocalipse 6:12-17, 12 E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue; 13 E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte. 14 E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. 15 E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; 16 E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; 17 Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir”? Joel 2:31, O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR”. Tal como a chuva temporã, essa manifestação final do Espírito amadurecerá a colheita da Terra Mateus 13:29-30 e 36-39, 29 Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. 30 Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colha primeiro o joio, e atai-o em molhos para queimá-lo; mas, o trigo ajunte-o no meu celeiro. 36 Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. 37 E ele, respondendo, disseram-lhes: O que semeia a boa semente é o Filho do homem; 38 O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; 39 O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos”. E “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Joel 2:32).

O DOM PROFÉTICO NA IGREJA REMANESCENTE

Conforme já estudamos, no Décimo Quarto e no Décimo Sexto Andares, Apocalipse 12 menciona dois períodos de acentuada perseguição, a primeira que se estendeu de 538 - 1798 d.C. (Apocalipse 12:6 a 14, “06 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias. 7 E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; 08 Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. 09 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. 10 E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite. 11 E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte. 12 Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo. 13 E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem. 14 E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente”.
Os crentes leais sofreram intensas  perseguições.  Uma vez mais, justamente antes do Segundo Advento, Satanás atacará o  restante da semente da mulher, a igreja remanescente que se recusa a  abdicar da obediência que presta a Cristo. O Apocalipse caracteriza os crentes leais que constituirão o remanescente como aqueles "que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:17).
A frase "testemunho de Jesus” se refere ao dom profético, algo que se estabelece claramente na conversa posterior do anjo com João. Próximo ao final do livro, o anjo identifica a si mesmo como "conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus” (Apocalipse 19:10), e como "conservo teu e dos teus irmãos, os profetas” (Apocalipse 22:9). Essas expressões paralelas deixam claro que são os profetas que possuem o "testemunho de Jesus". Isso explica a declaração do anjo, de que "o testemunho de Jesus é o Espírito de Profecia” (Apocalipse 19:10).

Explicando melhor: O testemunho de Jesus, é o mesmo que sustentado por Jesus, ou seja, constitui o Espírito de Profecia. Isso define especialmente os irmãos que mantêm o testemunho de Jesus na qualidade de possuidores da inspiração profética. O testemunho de Jesus equivale em termos práticos a testificarão de Jesus Apocalipse 22:20, Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus”. Trata-se de  autor revelação de Jesus que, de acordo com Apocalipse 1:1, REVELAÇÃO de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo”; deve-se, em última análise, a Deus, que moveu os profetas cristãos.

Portanto, a expressão Espírito de Profecia‚ pode referir-se (1) ­ ao Espírito Santo que inspirou os profetas com a revelação procedente de Deus, (2) ­ a operação do dom de profecia e (3) ­ ao instrumento da profecia.
O dom profético ­ o testemunho de Jesus "concedido à Igreja por meio da profecia”, ­ corresponde a uma característica distintiva da Igreja remanescente. Jeremias vinculou a retração desse dom a pecaminosidade. "Onde já não vigora a Lei, nem recebem visão alguma do Senhor os Seus profetas”. (Lamentação 2:9). O livro de Apocalipse identifica a posse das duas características da igreja verdadeira dos últimos dias: ela guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus ­ o dom profético Apocalipse 12:17, “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo”.
À igreja do Êxodo concedeu Deus o dom profético a fim de organizar, instruir e guiar Seu povo. Atos 7:38-39, 38 Este é o que esteve entre a congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais, o qual recebeu as palavras de vida para no-las dar. 39 Ao qual nossos pais não quiseram obedecer, antes o rejeitaram e em seu coração se tornaram ao Egito”

"Mas o Senhor, por meio dum profeta fez subir a Israel do Egito, e por um profeta foi ele guardado” (Oséias 12:13).  Não deve constituir surpresa, portanto, o fato de encontrarmos um profeta no meio do povo que se acha envolvido com o último Êxodo ­ o escape do planeta Terra, poluído pelo pecado, em direção à Canaã celestial. Esse Êxodo, que ocorre em seguida ao Segundo Advento, representa o cumprimento último e completo de Isaías 11:11: "Naquele  dia o Senhor tornará a estender a mão para resgatar o restante do Seu  povo, que for deixado...".

AUXÍLIO NA CRISE FINAL

As Escrituras declaram que o povo de Deus experimentará  nos últimos dias da história terrestre a plenitude da ira do satânico poder do dragão, quando este se envolver numa tentativa final para destruí-lo Apocalipse 12:17, (já mencionado). Será esse um "tempo de angústia, qual nunca houve desde que existiu nação até aquele tempo” (Daniel 12:1). A fim de ajudá-lo na sobrevivência em meio ao mais intenso conflito de todas as eras, Deus em Sua amorável bondade, assegura a Seu povo que não o deixará  sozinho. O testemunho de Jesus, o Espírito de Profecia, o guiará em segurança rumo ao objetivo final ­ a união com o Salvador por ocasião do Segundo Advento.

A ilustração que segue mostra o relacionamento entre a Bíblia e as manifestações pós-bíblicas do dom profético: "Suponha que estamos a ponto de iniciar uma viagem. O proprietário do barco nos coloca em mãos o manual de instruções, dizendo-nos que ele contém instruções suficientes para toda a viagem, e que, se atendermos àquilo que está escrito no manual, certamente alcançaremos em segurança o porto de nosso destino. Iniciando a viagem, abrimos o manual a fim de aprender o que nele está  escrito. Constatamos que o autor registrou ali princípios de aplicação geral para a nossa orientação, e nos instruiu tanto quanto possível, analisando as várias contingências que se poderão apresentar até o fim; mas ele também nos adverte de que a última porção da viagem será particularmente perigosa; que o traçado da costa está sempre se modificando em virtude de bancos de areia e tempestade. Para essa porção final da viagem, prossegue o  autor, “providenciou um piloto”, o qual virá ao seu encontro e o orientará completamente no tocante às circunstâncias e perigos dessa porção final da viagem. Atenda suas orientações. Com base nas instruções que estão em nosso poder, conseguimos chegar à porção final da viagem e o piloto, de  acordo com a promessa, aparece. Mas alguns membros da tripulação erguem-se contra ele no momento em que ele oferece seus préstimos. “Possuímos o  manual original dizem eles e isso é o suficiente para nós. Orientar-nos-emos de acordo com ele, e só de acordo com ele. “Nada queremos saber de você”. ­ A partir  desse  momento, quem está  realmente seguindo o manual original de instruções? Aqueles que rejeitam o piloto, ou  aqueles  que  o  aceitam, seguindo a ordem do manual? (Pense nisso)”.

OS PROFETAS PÓS-BÍBLICOS E A BÍBLIA

Foi o dom profético que produziu a própria Bíblia. No período pós-bíblico, ele não deve superar as Escrituras ou acrescentar algo a elas, uma vez que o cânon sagrado já está completo. O dom profético atuará no tempo do fim assim como atuou nos dias dos apóstolos. Seu objetivo é destacar a Bíblia como base de fé e prática, explicar seus ensinamentos e aplicar seus princípios ao viver diário. Ele se acha envolvido no estabelecimento e edificação da Igreja, habilitando-a a desempenhar sua missão divinamente apontada. O dom profético reprova, adverte, orienta e encoraja tanto indivíduos quanto a Igreja, protegendo-os das heresias e unificando-os nas verdades bíblicas.

Os profetas pós-bíblicos atuaram de modo semelhante a Natã, Gade, Asafe, Semaías, Azarias, Eliézer, Aias, Obede, Miriã, Débora, Hulda, Simeão, João Batista, Ágabo, Silas, Ana, e as quatro filhas de Filipe, os quais viveram em tempos bíblicos, mas não tiveram seus testemunhos registrados como  parte  do compêndio bíblico. O mesmo Deus,  que  através dos profetas que escreveram a Bíblia, inspirou estes profetas e  profetisas. Suas mensagens  não entraram em contradição com a revelação divina previamente registrada.

O ESTADO O DOM PROFÉTICO

Uma vez que a Bíblia adverte de que antes do retorno de Cristo apareceriam muitos falsos profetas, devemos investigar cuidadosamente todas as reivindicações de manifestação do dom profético. Paulo assim se expressou: "Não desprezeis profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal” (I Tessalonicenses 5:20-22). A Bíblia apresenta várias linhas mestras que nos auxiliarão a distinguir o genuíno dom profético daquele que é espúrio.

01 – Porventura se harmoniza a mensagem com a Bíblia? ­ "À Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Isaias 8:20). Este texto implica que a mensagem de qualquer profeta deve estar de acordo com a Lei e o Testemunho de Deus, manifestados ao longo de toda a Bíblia. Um profeta posterior jamais deverá  contradizer um profeta anterior. O Santo Espírito jamais contradiz o Seu próprio testemunho anteriormente concedido, pois em Deus "não pode existir variação, ou sombra de mudança” (Tiago 1:17).

02 – As predições comprovaram-se verdadeiras? – “Se disseres ao teu coração: como conhecereis a palavra que o Senhor não falou? Sabe que quando esse profeta falar, em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder como profetizou, esta é a palavra que o Senhor não disse; com soberba a falou o tal profeta; não tenhas temor dele” (Deut. 18:21 e 22 e Jeremias 28:1-17). (Leia em sua Bíblia). Embora as profecias possam representar uma parcela relativamente pequena da mensagem profética, a sua exatidão deve ser demonstrada.

03 – É reconhecida a encarnação de Cristo? “Nisto reconhecerei o Espírito de Deus: todo Espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus” (I João 4:2 e 3). Esse teste exige mais do que um simples reconhecimento de que Jesus Cristo viveu sobre a Terra. O verdadeiro profeta deve confessar o ensinamento bíblico da encarnação, ele deve crer em Sua divindade em pré-existência, Seu nascimento virginal, Sua verdadeira humanidade, vida sem pecado, sacrifício expiatório, ascensão, ministério intercessor e segundo advento.

04 – Que tipos de frutos produzem o profeta: bons ou maus? – A profecia vem pela inspiração de “homens santos de Deus” por parte do Espírito Santo. (II Pedro 1:21) Podemos discernir os falsos profetas a partir de seus frutos. Ou, conforme explicou Jesus: “Pelos seus frutos os conhecereis. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz fruto bom é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:16,18-20).
 
Esse conselho é crucial ao se avaliar a reivindicação do profeta. Em primeiro lugar vem à vida do profeta. Não significa que o profeta deva ser absolutamente perfeito; as Escrituras dizem que Elias foi um homem “semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos” (Tiago 5:17). Mas a vida do profeta deveria ser caracterizada pelos frutos do Espírito, não pelas obras da carne. Gálatas 5:19-23, 19 Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, 20 Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, 21 Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. 22 Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. 23 Contra estas coisas não há lei”.

Em segundo lugar, esse princípio diz respeito à influência do profeta sobre outros. Quais os resultados observáveis na vida daqueles que aceitam as mensagens? Porventura as mensagens do profeta habilitam o povo de Deus para a missão e o une em sua fé? Efésios 4:12-16, 12 Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; 13 Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, 14 Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. 15 Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, 16 Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor”. Toda pessoa que reivindica possuir o dom profético deve ser submetida a tais testes. Se enfrentar positivamente todos eles, podemos ter a confiança de que efetivamente o Espírito Santo concedeu a ela o dom de profecia.

O ESPÍRITO DE PROFECIA DOS ÚLTIMOS DIAS

O dom de profecia manifestou-se ativamente no ministério de  Ellen G.White, co-fundadora do movimento que anuncia a segunda volta de Jesus Cristo. Foram concedidas instruções inspiradas da parte de Deus, em favor de Seu povo dos últimos dias. O mundo, no início do século dezenove, quando Ellen G. White começou a apresentar mensagens de Deus, era um mundo do homem. Seu chamado profético colocou-a sob escrutínio crítico. Tendo satisfeito os testes bíblicos, ela prosseguiu em seu ministério profético durante 70 anos. Desde 1.844, quando contava com apenas 17 anos de idade, até 1.915, ano de sua morte, ela recebeu mais de duas mil visões. Durante esse período, ela viveu e trabalhou na América do Norte, Europa e Austrália, aconselhando, estabelecendo novas frentes de trabalho, pregando e escrevendo.

Ellen White jamais assumiu o título de profetiza, mas não se opunha a que os outros assim a identificassem. Ela explicou: “Cedo em minha juventude foi-me perguntado muitas vezes: é você uma profetiza? Sempre tenho respondido: sou a mensageira do Senhor. Sei que muitos me têm chamado de profetiza, mas jamais reivindiquei esse título. Por que não reivindico ser chamada de profeta? Porque nestes dias muitos que audaciosamente pretendem serem profetas, representam um opróbrio à causa de Cristo; e porque minha obra inclui muito mais do que o termo profeta significa. Reivindicar ser profetiza é algo que jamais fiz. Se outros me chamam por esse nome, não discuto com eles. Mas a minha obra abrange tantos aspectos, que não posso chamar-me a mim mesma senão uma mensageira”. Quanto aos testes proféticos, Ellen White passou por todas as provas bíblicas.

1 – Concordância com a Bíblia. Sua abundante produção literária inclui dezenas de milhares de textos bíblicos, acompanhados por vezes de detalhadas exposições. Cuidadosos estudos têm demonstrado que seus escritos são coerentes, fidedignos e em total concordância com as Escrituras.

2 – A exatidão das predições. Os escritos de Ellen White contêm um número relativamente pequeno de predições. Algumas delas estão hoje em processo de cumprimento, enquanto outras ainda aguardam ser cumpridas. Entretanto, aquelas que podem já ser testadas, cumpriu-se com extraordinária precisão. Apresentaremos, a seguir, dois exemplos que demonstram sua visão profética: O surgimento do moderno espiritismo. Em 1.850, quando o espiritismo, movimento que pretende manter comunicação com o mundo dos espíritos e com os mortos, ainda se encontrava nos primeiros passos Ellen White identificaram-no como um dos grandes enganos dos últimos dias e predisse seu crescimento. Embora naqueles dias o movimento fosse decididamente anticristão, ela previu que a hostilidade se modificaria, e que viria a tornar-se respeitável entre os cristãos. Desde aqueles dias, o espiritismo tem-se estendido a todo o mundo, adquirindo milhões de adeptos. Sua face anticristã modificou-se; efetivamente, muitos deles identificam-se como cristãos espiritualistas, reivindicando possuir a verdadeira fé cristã, afirmando ainda que “os espiritualistas são os únicos religiosos que usam os dons prometidos por Cristo, através dos quais curam os enfermos e demonstram uma crescença futura e existência progressiva”. Eles até mesmo asseveram que o espiritismo “concede o conhecimento de todos os grandes sistemas de religião, e ainda, concede mais conhecimento da Bíblia cristã do que todos os comentários combinados. A Bíblia é um livro de espiritualismo”. 
 Cooperação íntima entre protestante e católica romana. Durante o período de vida de Ellen White, existia um abismo entre ambos, o qual parecia impedir qualquer cooperação entre ambos. O anticatolicismo campeava entre os protestantes. Ela profetizou que grandes mudanças no seio do protestantismo conduziriam a um afastamento da fé proclamada pela Reforma. Consequentemente, as diferenças entre protestantes e católicos se reduziriam, conduzindo ao estabelecimento de uma ponte para cobrir o abismo que antes separava a ambos.

Os anos posteriores à sua morte têm testemunhado o surgimento do movimento ecumênico, o estabelecimento do Conselho Mundial de Igrejas, o Concílio Vaticano II e a ignorância, ou mesmo decidida rejeição, que o protestantismo faz dos pontos de vista da Reforma no tocante à interpretação profética. Essas grandes mudanças têm derribado muitas barreiras até existentes entre católicos e protestantes, conduzindo a um processo de crescente cooperação.

3 – O reconhecimento da encarnação de Cristo. Ellen White escreveu extensamente sobre a vida de Cristo. Seu papel como Senhor e Salvador, Seu sacrifício expiatório na cruz, e Seu atual ministério intercessor, representam temas dominantes em sua obra literária. O livro “O Desejado de Todas as Nações” tem sido aclamado como um dos mais espirituais tratados sobre a vida de Cristo, enquanto “Caminho a Cristo”, sua obra mais amplamente difundida, tem conduzido milhões de pessoas a um relacionamento mais íntimo com Ele. Seus livros retratam claramente a Jesus como plenamente Deus e plenamente homem. Sua exposição equilibrada coincide com os pontos de vista bíblicos, evitando forma cuidadosa a ênfase exagerada quanto a uma ou outra natureza, um problema que causou tanta controvérsia ao longo da história do cristianismo. Todo o tratamento que ela dá ao ministério de Cristo é de cunho prático. Não importam quais os aspectos de que ela trate, sua preocupação fundamental é conduzir o leitor a um relacionamento mais profundo com o Salvador.

4 – A influência de seu ministério. Decorrido mais de um século desde que Ellen White recebeu o dom profético, a Igreja e a vida daqueles que atenderam a seus conselhos, revelam o impacto de sua vida e de suas mensagens.
Embora ela jamais tenha ocupado uma posição ou cargo oficial, nem recebido uma ordenação ministerial, e tampouco salário da Igreja, a não ser depois da morte do esposo, sua influência moldou a Igreja mais do que qualquer outro fator, exceto a Santa Bíblia. Ela representou a força motriz por detrás do estabelecimento das atividades da Igreja nos setores de publicações, escolas, obra médico-missionária e o desenvolvimento missionário de extensão mundial, que tornaram a Igreja uma das organizações missionárias de maior extensão e mais rápido crescimento.

O material por ela escrito constitui mais de 80 livros, dos quais possuímos: A série Conflito dos Séculos, que compreende sete volumes: 01 Patriarcas e Profetas, 02 Profetas e Reis, 03 O Desejado de Todas as Nações, 04 Atos dos Apóstolos, 05 O Grande Conflito, 06 A Batalha Final, e 07 História da Redenção. – A série Saúde e Temperança com cinco volumes: 08. Ciência do Bom Viver, 09. Conselhos Sobre Regime Alimentar, 10. Medicina e Salvação, 11. Temperança. A Série Educação com nove volumes: 12 Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, 13 Conselhos Sobre Educação, 14 Educação, 15 Fundamentos da Educação Cristã, 16 O Lar Adventista, 17 Mensagem aos Jovens, 18 Mente Caráter e Personalidade, volumes 1 e 2, - 20 Orientação da Criança. A série Conselhos, com seis volumes: 21 Conselhos Sobre Escola Sabatina, 22 Conselhos Sobre Mordomia, 23 Mensagens Escolhidas volumes: 1,2 e 3, - 24 Primeiros Escritos. A série Jesus, com seis volumes: 25 Caminho a Cristo, 28 Cristo em Seu Santuário 26 O Maior Discurso de Cristo, 27 No Deserto da Tentação, 28 Parábolas de Jesus, 29 Vida de Jesus. A série Vida e Santificação, quatro volumes: 30 Fé e Obras, 31 A Igreja Remanescente, 32 Santificação, 33 Vida No Campo. A série missionária com cinco volumes: 34 Beneficências Social, 35 Evangelismo, 36 Obra Daquele Ouro Anjo, 37 Obreiros Evangélicos, 38 Serviço Cristão. – 39 Testemunhos Seletos, com três volumes: 1,2, e 3. – 40 Testemunhos Para Ministros. E, finalmente, 41 Vida e Ensino. Esse livro conta sua vida desde os nove anos de idade, quando recebeu uma pedra atirada por uma menina de 13 anos de idade, que atingiu seu nariz. Diz ela: “fiquei aturdida com o golpe e caí ao chão, desmaiada”. Sem poder continuar seus estudos até aos dezessete anos quando então começou a receber suas visões. (Página 13).
Como pudemos notar, seus testemunhos abrangem todos os assuntos de nosso dia a dia. E 200 folhetos e panfletos e 4.600 artigos em periódicos, Sermões diários, testemunhos especiais e cartas compreendem outras 60.000 páginas de material manuscrito.

A abrangência desse material é assombrosa. O conhecimento de Ellen White não se limita a algumas áreas específicas. O Senhor transmitiu-lhe conselhos em assuntos como saúde, educação, vida familiar, temperança, evangelismo, ministério de publicações, dieta adequada, obras médicas e muitas outras áreas. Talvez os seus escritos no campo da saúde tenham sido os mais extraordinários, uma vez que a iluminação por ela recebida, em parte há mais de um século, tem sido comprovada através da moderna ciência.
Seus escritos focalizam a Cristo Jesus e apresentam os elevados valores morais e éticos da tradição judaico-cristã. Embora muitos de seus escritos sejam dirigidos à Igreja Remanescente, aqueles que estão aguardando a segunda vinda de Cristo guardando Seus Mandamentos e sustentando o testemunho de Jesus, vasta porções desses escritos têm sido apreciadas pelo público em geral, seu conhecido livreto “Caminho a Cristo” foi traduzido para mais de cem idiomas e vendeu mais de 15 milhões de exemplares. Sua obra mais conhecida é a série “O Conflito dos Séculos”, acima mencionadas, que apresenta em detalhes a grande controvérsia entre Cristo e Satanás, desde a origem do pecado até sua erradicação final do Universo.

O impacto de seus escritos sobre os indivíduos é profundo. Recentemente o Instituto Ministerial da Igreja da Universidade Andrews, Estados Unidos, empreendeu um estudo comparando as atitudes e comportamento do povo que lê regularmente os escritos de Ellen White com aqueles que não o fazem. Essa pesquisa demonstrou o impacto de seus escritos sobre a vida daqueles que os lêem. O estudo chegou à seguinte conclusão: “Os leitores possuem um relacionamento mais íntimo com Cristo, mais certeza de sua situação diante de Deus e com maior facilidade identificam seus dons espirituais. Demonstram-se mais dispostos a gastar em favor do evangelismo público e contribuem de modo mais significativo com os projetos missionários locais. Sentem-se melhor preparado para testemunhar e efetivamente engajar mais em pregação e programas comunitários. São mais inclinados a estudar a Bíblia diariamente, a orar em favor das pessoas, a reunir-se em grupos de comunhão e a desenvolver o culto familiar diário. Vêem sua Igreja com olhos mais positivos e sentem responsabilidade por obter maior número de conversos”.

O ESPÍRITO DE PROFECIA E A BÍBLIA

Os escritos de Ellen White não constituem um substitutivo para a Bíblia. Não podem ser colocados no mesmo nível. As Escrituras Sagradas ocupam posição única, pois são os únicos padrões pelos quais os seus escritos ou quaisquer outros, devem ser julgados e ao qual devem estar subordinados.

1 – A Bíblia é o padrão supremo. Os Remanescentes apóiam plenamente o princípio da Reforma, a Bíblia como seu próprio intérprete e a Bíblia, sozinha, como base de todas as doutrinas. Os fundadores da Igreja desenvolveram suas crenças fundamentais através do estudo da Bíblia; não receberam tais doutrinas através das visões de Ellen White. Seu principal papel durante o desenvolvimento das doutrinas da igreja foi orientar a compreensão da Bíblia e confirmar as conclusões às quais se chegava através de seu estudo.

A própria Ellen White cria e ensinava que a Bíblia representa a norma final da Igreja. Em seu primeiro livro, publicado em 1.851, ela escreveu: “Recomendo-vos, caro leitor, a Palavra de Deus como regra de vossa fé e prática. Por essa Palavra seremos julgados” (Primeiros Escritos, pág.78). Ela jamais modificou esse ponto de vista. Anos mais tarde, tornou a escrever: “Em Sua Palavra Deus conferiu aos homens o conhecimento necessário à salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como autorizada e infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa” (O Grande Conflito, pág.7). Em 1909, durante sua última palestra perante uma sessão da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ela abriu sua Bíblia, ergueu diante da congregação e disse: “Irmãos e irmãs, recomendo-vos este Livro” (Reviews and Herald 1.937, pág.30).
Em resposta aos crentes que consideravam seus escritos como uma edição à Bíblia, ela escreveu, dizendo: “Tomei a preciosa Bíblia e circundei-a com os vários Testemunhos Para a Igreja, concedido, ao povo de Deus...”. Não estais familiarizados com as Escrituras. Se tivésseis feito da Palavra de Deus objeto de estudo regular, com o desejo de alcançar os padrões bíblicos e de atingir a perfeição cristã, não teria havido necessidade dos Testemunhos. É porque negligenciastes familiarizar-vos com o Livro inspirado de Deus, que Ele procurou alcançar-vos através de testemunho simples e direto, chamando a atenção para as palavras da inspiração que negligenciastes obedecer, insistindo em que a vossa vida se paute de acordo com esses puros e elevados ensinos” (Testimonies for the church, vol. 5, págs. 664 e 665).

2. – Um guia para a Bíblia. Ela encarou o seu trabalho como a condução das pessoas de volta à Bíblia. “Pouca importância é dada à Bíblia”, escreveu ela, e assim “o Senhor concedeu uma luz menor para conduzir homens e mulheres à luz maior” (O Colportor Evangelista, pág.125). “A Palavra de Deus” prossegue a autora, “é suficiente para iluminar a mente mais obscurecida e pode ser compreendida por todos aqueles que sentirem o desejo de entendê-la. Apesar de tudo isso, alguns que pretendem estar fazendo da Palavra de Deus o seu objeto de estudo, encontram-se vivendo em direta oposição aos seus mais claros ensinos. Consequentemente, para que homens e mulheres fiquem sem escusa, Deus concede testemunhos claros e diretos, fazendo com que essas pessoas retornem à Palavra que haviam negligenciado em seguir” (Testimonies Vol.5 pág. 663).
3. – Um guia na compreensão da Bíblia. Ellen White considerava seus escritos como um guia para a compreensão mais clara da Bíblia. “Não são apresentadas verdades novas; através dos Testemunhos, porém, Deus simplificou as grandes verdades já concedidas e segundo a forma por Ele mesmo escolhida, trouxe-as perante o povo, visando a despertá-los e impressionar-lhes a mente, a fim de que todos eles fiquem sem escusa. Os testemunhos escritos não são concedidos a fim de prover nova luz, mas para imprimir vividamente sobre o coração as verdades da inspiração já anteriormente reveladas” (Idem, pág. 665).

4. – Um guia para aplicar princípios bíblicos. Muitos de seus escritos aplicam os conselhos bíblicos ao viver diário. Ellen White disse que ela foi “orientada a apresentar princípios gerais, e ao mesmo tempo especificar os perigos, erros e pecados de alguns indivíduos, a fim de que todos pudessem ser advertidos, reprovados e aconselhados” (Ibid, pág.660). Cristo havia prometido semelhante orientação profética à Sua Igreja. A própria Ellen White observou: “O fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio de Sua Palavra, não tornou desnecessária a contínua presença e direção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi prometido por nosso Salvador para aclamar a Palavra a Seus servos, para iluminar e aplicar os Seus ensinos” (O Grande Conflito, página 7).

O DESAFIO AO CRENTE

O livro do Apocalipse profetiza que o “Testemunho de Jesus” haveria de manifestar-se através do “Espírito de Profecia” nos últimos dias da história terrestre. Isso representa um desafio a todos, no sentido de não assumir uma atitude de indiferença, mas a “provar todas as coisas e reter o que é bom”. Existe muito a ganhar, ou perder, face à atitude com a qual assumimos essa investigação biblicamente ordenada. Josafá exortou no passado: “Crede nos Seus profetas, e prosperareis” II (Crônicas 20:20). Essas palavras soam como perfeitamente verdadeiras, ainda nos dias de hoje.

Existem inúmeras pessoas que duvidaram dos escritos de Ellen White, (Pastores e Bispos de diversas Igrejas), alguns pesquisaram seus escritos na intenção de criticá-la, e os resultados foram surpreendentes. “Experimente você também!”.


Que Deus o abençoe.


BIBLIOGRAFIA

A Bíblia Sagrada ­ Tradução João F. de Almeida
Primeiros Escritos ­ Ellen G. White
Vida e Ensino ­ Ellen G. White
Ellen G. White, Mensageira da Igreja Remanescente.
Nisto Cremos ­ Casa Publicadora Brasileira.
Dicionário ­ Aurélio B. de Holanda Ferreira.
Profecias de Daniel ­ Araceli Souza Mello.
As Verdades Sobre as Profecias de Apocalipse ­ Araceli Souza Mello.


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 Profº. Edmur Hawthorne





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